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P A R A N D H A N

“Nada do que vivemos tem sentido se não tocamos o coração das pessoas”(Cora Coralina)
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June 03

Pérolas são feridas cicratizadas...

 
 

Uma ostra que não foi ferida não produz pérolas. Pérolas são produtos da dor, resultados da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou um grão de areia.
As pérolas são feridas...

Na parte interna da concha é encontrada uma substância lustrosa chamada NÁCAR. Quando um grão de areia a penetra, as células do Nácar, começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas, para proteger o corpo indefeso da Ostra.
Como resultado, uma linda pérolas vai se formando.
Uma ostra que não foi ferida, de algum modo, não produz pérolas, pois a pérolas são feridas cicatrizadas.
Você já se sentiu ferida pelas palavras rudes de alguém?
Já foi acusado de ter dito coisas que não disse?
Suas idéias já foram rejeitadas, ou mal interpretadas?
Você já sofreu os duros golpes da humilhação?
Então, produza uma PERÓLA!
April 06

Pietro Ubaldi - Mensagem da Paz

 

MENSAGEM DA PAZ 

Minha última mensagem, pela Páscoa de 1933, XIX Centenário da morte de Cristo, dirigida, em dois momentos aos Cristãos e aos homens de boa vontade, foi minha derradeira palavra naquele ciclo de preparação e esperança.

Já se encontram amadurecidos muitos acontecimentos ali preanunciados.

Até junto de vós retorno, nesta Páscoa de 1943, após dez anos, na violenta constrição de uma dor que parecia impossível e, no entanto, se tornou realidade; venho trazer conforto aos homens e aos justos, aqueles que crêem. Venho dizer, no seio tumultuoso da destruição universal, a equilibrada palavra de paz. É esta, por isso, a mensagem da paz.

Tende fé e a fé vos fará superar todas as provas. Deus as permite para que aprendais a usar de vossa liberdade e não para vossa destruição. Não vos desgarreis no caos, que é só aparente. Imersos como estais no pormenor, na aflição, na fadiga, não enxergais e não compreendeis o bem que existe além da aparência do mal.

Deus, no entanto, invisível e onipresente, está ao vosso lado, caminha convosco, acompanha os vossos passos e vos guia; sempre vos provê, além da aparente desordem, com a ordem imensa e eterna de Suas sábias leis. Sua mão se inclina para o humilde, para o fraco, para o vencido, a fim de erguê-lo de novo. Que vos conforte esta afirmação de uma divina lei de justiça acima da lei humana da força.

Diante de dois caminhos vos deixei e fizestes a escolha. O mundo tem a prova que livremente desejou.

Desde que vos deixei, o mundo tem percorrido velozmente o caminho da História. O mais profundo caminho e a mais proveitosa lição se encontram na dor, escola e sanção de Deus.

Repousareis. Assim é necessário, a fim de que os resultados do esforço desçam em profundidade e sejam assimilados. Não vos detenhais, no entanto, nos pormenores do momento ou do caso particular, que não constituem toda a vida. Esta se encontra nas grandes trajetórias de desenvolvimento da Lei, em que se exprime o pensamento de Deus.

Somente se vos elevardes encontrareis a verdade universal, imóvel no movimento, a justiça perfeita. Somente se vos transportardes acima das contingências do momento e do lugar, achareis a completa liberdade, a tranqüilidade do absoluto, a paz que está acima da vitória ou da derrota, a verdadeira paz, tão distante das coisas humanas.

Elevar-se é a grande meta da vida — elevar-se pelos caminhos do espírito — e esse  trabalho, sempre possível e livre, pode ser seguido e levado a termo, em qualquer época ou lugar. Ninguém, em nenhum caso, pode tolher a liberdade de vos construirdes a vós mesmos, avançando assim em qualidade e poder. E esta ascese é o que mais importa; é para atingi-la que sofreis as provas da vida.

Após cada curva da História, obtém-se seu sumo, sua verdadeira colheita, que é a ascensão.

As verdadeiras riquezas não se encontram fora de vós: estão em vosso íntimo e são elas que vos fazem mais poderosos e felizes. São os vossos bons predicados, que nunca se perderão; e não vossas posses materiais, que hão de desaparecer.

Qualquer que seja o turno de vencedores ou vencidos, suceder-se-ão, como vaga após vaga, as multidões dos que sofrem e dos que gozam; e o triunfo pode ser instrumento de perdição e a desventura, de ressurreição. Nenhuma vida, como nenhuma força, pode ser anulada; tudo sobrevive, transformando-se. Substancialmente, a guerra a ninguém destrói.

Minha palavra, que está acima do mundo e de suas lutas, diz, repetindo a lei de Deus que rege a vida: ai de quem possuindo apenas a superioridade da força, dela abusa, esquecendo a justiça. Tudo é compensado na Lei e se paga com longas reações sucessivas, de ódios e vinganças.

A palavra do equilíbrio ensina ao vencedor que não é lícito abusar da vitória, pois, por isso, se paga; e indica ao vencido os caminhos do espírito, em cuja liberdade é possível restaurar as próprias forças em face de qualquer escravidão exterior. O primeiro acomete as fronteiras naturais da força, o segundo nas privações encontra a liberdade.

Voltará o sol a brilhar e a vida florescerá de novo, após a tempestade. É lei de equilíbrio. O que importa, sobretudo, é que aprendais a lição. Recordai: que cada um guarde, na profundeza do espírito, com o poder de uma convicção, de uma qualidade adquirida, o fruto de tantas provações. E que a nova floração da vida não irrompa numa algazarra louca de carne satisfeita, numa orgia de matéria triunfante.

O escopo da guerra e o conteúdo da vitória não se acham no triunfo material, mas num triunfo no espírito, numa nova civilização.

Ai de vós, se não houverdes aprendido a dura lição e não mudardes de roteiro. Se,  em vez de subirdes pelos caminhos do espírito, voltardes a palmilhar as velhas estradas, haveis de recair sob as mesmas dolorosas conseqüências, cada vez mais graves.

Minha voz é universal e se desvia das dissensões humanas. Tem às vezes, no entanto, necessidade de descer. Diz-se, então com escândalo: Deus é parcial. Mas existe uma balança, um reflexo de justiça, uma ordem também na História e nela devem atuar.

A imparcialidade absoluta seria indiferença e ausência de Deus. A justiça e a ordem, que são os princípios do ser, devem descer também á Terra e aí operar, pesando sobre o mal e vencendo-o, no choque das forças.

De outro modo, Deus estaria somente no céu, e não presente e ativo também no mundo, entre vós, no meio de vossas lutas. Estas são guiadas por Ele, a afim de que não se reduzam a absoluta destruição e caos, mas sejam instrumento de construção e  de bem. Ele os guia para que as provas e as dores do mundo redundem no fruto que é a ascensão de espírito, objetivo de vida.

Deixo-vos, por isso, para conforto dos justos, estas verdades: o vosso esforço, mesmo que não possa ser senão individual e isolado, quando é puro e sincero e se dirige ao supremo escopo da elevação espiritual, também se encontra na trajetória da vida. E, por isso, protegido e encorajado, porque essa é a trajetória ordenada pela lei de Deus. Por essa mesma lei, segundo a qual o universo está construído e que lhe regula o funcionamento orgânico, as forças do mal, embora todas as dificuldades e resistências, jamais poderão prevalecer sobre as forças do bem.

É fatal, pois, o triunfo final do espírito e no espírito vencereis. Essa vitória vale a imensa dor que é seu preço.

Amplamente já está sendo executado o plano divino da vida.

Pietro Ubaldi - Escrita na Noite de Quinta-feira Santa, no Monte de Santo Sepulcro, diante de Ver na - Páscoa de 1943  

December 30

Carlos Drummond de Andrade

"João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o
convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto
Fernandes
que não tinha entrado na história."

O MUNDO É GRANDE

O mundo é grande e cabe

nesta janela sobre o mar.

O mar é grande e cabe

na cama e no colchão de amar.

O amor é grande e cabe

no breve espaço de beijar.

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro, MG em 1902. Formou-se em Farmácia, em 1925; no mesmo ano, fundava, com Emílio Moura e outros escritores mineiros, o periódico modernista A Revista. Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu o cargo de chefe de gabinete de Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde, que ocuparia até 1945. Durante esse período, colaborou, como jornalista literário, para vários periódicos, principalmente o Correio da Manhã. Nos anos de 1950, passaria a dedicar-se cada vez mais integralmente à produção literária, publicando poesia, contos, crônicas, literatura infantil e traduções. Entre suas principais obras poéticas estão os livros Alguma Poesia (1930), Sentimento do Mundo (1940), A Rosa do Povo (1945), Claro Enigma (1951), Poemas (1959), Lição de Coisas (1962), Boitempo (1968), Corpo (1984), além dos Póstumos Poesia Errante (1988), Poesia e Prosa (1992) e Farewell (1996). Drummond produziu uma das obras mais significativas da poesia brasileira do século XX. Forte criador de imagens, sua obra tematiza a vida e os acontecimentos do mundo a partir dos problemas pessoais, em versos que ora focalizam o indivíduo, a terra natal, a família e os amigos, ora os embates sociais, o questionamento da existência, e a própria poesia. Faleceu no Rio de Janeiro em 1987.

 

AMAR

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave
de rapina.Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

  

AS SEM-RAZÕES DO AMOR


Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

  

RECONHECIMENTO DO AMOR

Amiga, como são desnorteantes os caminhos da amizade.

Apareceste para ser o ombro suave

onde se reclina a inquietação do forte

( ou que forte se pensava ingenuamente ).

Trazias nos olhos pensativos a bruma da renúncia:

não querias a vida plena,

tinhas o prévio desencanto das uniões para toda a vida,

não pedias nada,

não reclamavas teu quinhão de luz.

E deslizavas em ritmo gratuito de ciranda.

Descansei em ti meu feixe de desencontros

e de encontros funestos.

Queria talvez - sem o perceber, juro –

sadicamente massacrar-te

sob o ferro de culpas e vacilações e angústias que doíam

desde a hora do nascimento,

senão desde o instante da concepção em certo mês perdido na História,

ou mais longe, desde aquele momento intemporal

em que os seres são apenas hipóteses não formuladas

no caos universal.

Como nos enganamos fugindo ao amor!

Como o desconhecemos, talvez com receio de enfrentar

sua espada coruscante, seu formidável

poder de penetrar o sangue e nele imprimir

uma orquídea de fogo e lágrimas.

Entretanto, ele chegou de manso e me envolveu

Em doçura e celestes amavios.

Não queimava, não siderava; sorria,

Mal entendi, tonto que fui, esse sorriso,

Feri-me pelas próprias mãos, não pelo amor

Que trazia para mim e que teus dedos confirmavam

Ao se juntarem aos meus, na infantil procura do Outro,

o Outro que eu me supunha, o Outro que te imaginava,

quando – por esperteza do amor – senti que éramos um só.

Amiga, amada, amada amiga, assim o amor

dissolve o mesquinho desejo de existir em face do mundo

Com olhar pervagante e larga ciência das coisas.

Já não defrontamos o mundo: nele nos diluímos,

e a pura essência em que nos transmutamos dispensa

alegorias, circunstâncias, referências temporais,

imaginações oníricas,

o vôo do Pássaro Azul, a aurora boreal,

as chaves de ouro dos sonetos e dos castelos medievos,

todas as imposturas da razão e da experiência,

para existir em si e por si,

à revelia de corpos amantes,

pois já nem somos nós, somos o número perfeito

 

UM.

Levou tempo, eu sei, para que o EU renunciasse

à vacuidade de persistir, fixo e solar,

e se confessasse jubilosamente vencido,

até respirar o júbilo maior da integração.

Agora, amada minha para sempre,

nem olhar temos de ver nem ouvidos de captar

a melodia, a paisagem, a transparência da vida,

perdidos que estamos na concha ultramarina de amar

 

AMOR

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar
por alguns segundos, preste atenção. Pode ser a pessoa mais importante da
sua vida.

Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho intenso
entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o
dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os olhos
encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.

Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de
ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um
presente divino: o amor.

Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais
que mil palavras, entregue-se : vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a
outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las
com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer
momento de sua vida.

Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa como se ela
estivesse ali do seu lado... se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos
emaranhados...

Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que
está marcado para a noite... se você não consegue imaginar, de maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...

Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e, mesmo assim,
tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela... se você preferir
morrer antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. É uma
dádiva.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou
encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não prestarem
atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer
verdadeiramente.

É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as
loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.

  

O Amor Bate na Aorta

Cantiga do amor sem eira nem beira,
vira o mundo de cabeça para baixo,
suspende a saia das mulheres,
tira os óculos dos homens,
o amor, seja como for,
é o amor.

Meu bem, não chores,
Hoje tem filme de Carlito!

O amor bate na porta
O amor bate na aorta,
fui abrir e me constipei.
Cardíaco e melancólico,
o amor ronca na horta
entre pés de laranjeira
entre uvas meio verdes
e desejos já maduros.

Entre uvas meio verdes,
meu amor, não te atormentes.
Certos ácidos adoçam
a boca murcha dos velhos
e quando os dentes não mordem
e quando os braços não prendem
o amor faz uma cócega
o amor desenha uma curva
propõe uma geometria.

Amor é bicho instruído.

Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.

Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado,
mas também vejo outras coisas:
vejo corpos, vejo almas
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender...

 

QUERO

Quero que todos os dias do ano
Todos os dias da vida
De meia em meia hora
De 5 em 5 minutos
Me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
Creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
E no seguinte,
Como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
Que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
Pois ao dizer: Eu te amo,
Desmentes
Apagas
Teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
Isto sempre, isto cada vez mais.

Quero ser amado por e em tua palavra
Nem sei de outra maneira a não ser esta
De reconhecer o Dom amoroso,
A perfeita maneira de saber-se amado:
Amor na raiz da palavra
E na emissão,
Amor
Saltando da língua nacional,
Amor
Feito som
Vibração espacial.

No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
Inexoravelmente sei
Que deixaste de amar-me,
Que nunca me amaste antes.

Se não disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamoamo,
Verdade fulminante que acabas de desentranhar,
Eu me precipito no caos,
Essa coleção de objetos de não-amor.

 

ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU

Além da Terra, além do Céu,

no trampolim do sem-fim das estrelas,

no rastro dos astros,

na magnólia das nebulosas.

Além, muito além do sistema solar,

até onde alcançam o pensamento e o coração,

vamos!

vamos conjugar

o verbo fundamental essencial,

o verbo transcendente, acima das gramáticas

e do medo e da moeda e da política,

o verbo sempre amar,

o verbo pluriamar,

razão de ser e de viver.

   

AINDA QUE MAL

Ainda que mal pergunte,

ainda que mal respondas;

ainda que mal te entenda,

ainda que mal repitas;

ainda que mal insista,

ainda que mal desculpes;

ainda que mal me exprima,

ainda que mal me julgues;

ainda que mal me mostre,

ainda que mal me vejas;

ainda que mal te encare,

ainda que mal te furtes;

ainda que mal te siga,

ainda que mal te voltes;

ainda que mal te ame,

ainda que mal o saibas;

ainda que mal te agarre,

ainda que mal te mates;

ainda assim te pergunto

e me queimando em teu seio,

me salvo e me dano: amor.

 

O AMOR ANTIGO

O amor antigo vive de si mesmo,

não de cultivo alheio ou de presença.

Nada exige, nem pede. Nada espera,

mas do destino vão nega a sentença. 

O amor antigo tem raízes fundas,

feitas de sofrimento e de beleza.

Por aquelas mergulha no infinito,

e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona

aquilo que foi grande e deslumbrante,

o antigo amor, porém, nunca fenece

e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.

Mais triste? Não. Ele venceu a dor,

e resplandece no seu canto obscuro,

tanto mais velho quanto mais amor.

 

 

FELIZ ANO NOVO!

December 19

William Blake

"Aquele que se deixa prender por uma alegria,

 rasga as asas da vida;

Aquele que beija a alegria enquanto ela voa,

  vive no amanhecer da eternidade."

William Blake 

 "O mundo da imaginação é o mundo da Eternidade. É o seio para o qual nos dirigimos após a morte do corpo vegetativo. Esse mundo é infinito e Eterno, enquanto o mundo da procriação é finito e temporal. Todas as coisas, em suas Formas Eternas, estão dentro do corpo divino do Salvador, a verdadeira voz da Eternidade, a Imaginação Humana."

William Blake 

 

William Blake nasceu em Londres, Inglaterra em 1757 e faleceu em 1827.

Escreveu poemas românticos. Foi também pintor  sendo sua pintura definida como pintura fantástica, e tipógrafo.

Blake escreveu e ilustrou mais de vinte livros, incluindo "O livro de Jó" da Bíblia, "A Divina Comédia" de Dante Alighieri - trabalho interrompido pela sua morte - além de títulos de grandes artistas britânicos de sua época. Muitos de seus trabalhos foram marcados pelos seus fortes ideais libertários, principalmente nos poemas do livro Songs of Innocence and of Experience ("Cancoes da Inocência e da Experiência"), onde ele apontava a igreja da inglaterra e a alta sociedade como exploradores dos fracos.

Apesar de seu talento, o trabalho de gravador era muito concorrido em sua época, e os livros de Blake eram considerados estranhos pela maioria. Devido a isto, Blake nunca alcançou fama significativa, vivendo muito próximo à pobreza.

Hoje Blake é reconhecido como um santo pela Igreja Gnóstica Católica, e o prêmio Blake Prize for Religious Art (Prêmio Blake para Arte Sacra) é entregue anualmente na Austrália em sua homenagem.

A IMAGEM DIVINA
 
Ao Perdão, Piedade, Paz e Amor,
Todos clamam na aflição:
E para estas virtudes prazerosas
Afirmam sua gratidão.
Pois Perdão, Piedade, Paz e Amor,
É Deus nosso pai querido:
E Perdão, Piedade, Paz e Amor,
É o homem, seu filho, a quem cuida.
Pois Perdão tem um coração humano,
Piedade, um rosto humano,
E Amor uma forma divina,
E Paz, as vestes humanas.
Então todo homem em todo lugar,
Que ora em sua tristeza
Está a orar para a forma humana divina.
Perdão, Piedade, Paz e Amor.
E todos devem amar a forma humana,
Seja em pagãos, turcos ou judeus.
Pois onde Perdão, Piedade, Paz e Amor habitam,
Deus lá habita também. 
 

 

 SOBRE A DOR DO OUTRO
 
Posso ver a dor de outrem
E não ter tal dor também?
Posso ver sua aflição
E não tentar dar-lhe a mão?
E ao ver lágrima caindo,
Não partilhar da dor ainda?
Pode um pai ver o seu filho
Chorar sem ficar aflito?
E a mãe ouvir ao sentar
Com medo o filho chorar –
Não, não pode acontecer.
Nunca, nunca acontecer.
E o que de tudo sorrira
Ouvir aflita a corruíra?
A mágoa dos passarinhos?
E o ai do sofrer de meninos?
Junto ao ninho não sentar-se
Pondo em seu peito piedade?
Junto ao berço que balança
Chorando com a criança?
Não sentar-se noite e dia
Nos trazendo calmaria?
Não, não pode acontecer.
Nunca, nunca acontecer.
Ele a todos dá Sua graça
E torna-se uma criança
Torna-se um lamentador
E também sente essa dor
Não sonhe um suspiro dar
Onde o criador não está.
Mesmo deitar uma lágrima,
Se o criador não se aproxima.
Ele doa sua graça a nós
E a aflição, talvez, destrói;
Até a dor ser expulsa e finda
Ele chora entre nós ainda.
 
 
O PREÇO DA EXPERIÊNCIA
 
Qual é o preço da experiência?
Os homens a compram com uma canção?
Adquirem sabedoria dançando nas ruas?
Não, ela é comprada pelo preço
De tudo que um homem possui, sua casa, sua esposa, seus filhos.
A sabedoria é vendida num mercado sombrio onde ninguém vem comprar,
E no campo infecundo que o fazendeiro ara em vão por seu pão.
É fácil triunfar sob o sol do verão
E na colheita cantar na carroça cheia de grão.
É fácil falar de prudência aos aflitos,
Falar das leis da prudência ao andarilho sem teto,
Ouvir o grito faminto do corvo na estação invernal
Quando o sangue vermelho mistura-se ao vinho e ao tutano do cordeiro
É tão fácil sorrir diante da ira da natureza
Ouvir o uivo do cão diante da porta no inverno,
 e o boi a mugir no matadouro;
Ver um deus em cada brisa e uma bênção em cada tempestade.
Ouvir o som do amor no raio que arrasa a casa do inimigo;
Rejubilar-se diante do praga que cobre seu campo, e da doença que ceifa seus filhos,
Enquanto nossas oliveiras e nosso vinho cantam e riem diante da porta, e nossos filhos nos trazem frutas e flores.
Então o lamento e a dor estão quase esquecidos, bem como o escravo que gira o moinho,
E o cativo acorrentado, o pobre prisioneiro, e o soldado no campo de batalha
Quando os ossos rompidos deixam-no gemendo à espera da morte feliz.
É fácil rejubilar-se sob a tenda da prosperidade:
Eu poderia cantar e me rejubilar deste modo: mas eu não sou assim.
 
 
 
O JARDIM DO AMOR
 
Tendo ingressado no Jardim do Amor,
Deparei-me com algo inusitado:
Haviam construído uma Capela
No meio, onde eu brincava no gramado.
E ela estava fechada; "Tu não podes"
Era a legenda sobre a porta escrita.
Voltei-me então para o Jardim do Amor,
Onde crescia tanta flor bonita,
E recoberto o vi de sepulturas
E lousas sepulcrais, em vez de flores;
E em vestes negras e hediondas os padres faziam rondas,
E atavam com nó espinhoso meus desejos e meu gozo.
 
 
 
A RESPOSTA DA TERRA
 
A terra levantou sua cabeça
Desde a escuridão pavorosa e triste.
Sua luz voou,
Pétreo terror!
E cobriu seus cabelos com cinzento desespero.
"Presa junto a úmida costa,
Ciúmes estrelados guardam meu covil:
Fria e velha,
Chorando,
Escuto ao Pai dos homens antigos.
Egoísta Pai de homens!
Cruel, ciumento, medo egoísta!
Pode o gozo,
Acorrentado na noite,
Dar à luz as virgens da juventude e manhã?
A primavera esconde sua alegria
Quando os casulos e as flores crescem?
O semeador
Semeia pela noite,
Ou o lavrador lavra na escuridão?
Rompe esta pesada corrente
Que rodeia de gelo meus ossos
Egoísta! Inútil!
Eterna praga!
Que ao livre Amor ataste com ataduras."
 
Tocando uma flauta no vale selvagem
Tocando canções doces e alegres
Vi uma criança surgir nas nuvens,
E ela me disse a sorrir,
"Toque aquela do cordeiro";
Então toquei com alegria;
"Toque, por favor, a canção de novo" -
Então eu toquei, e ela chorou ao ouvir.
Largue a flauta, tua flauta feliz
E cante canções que tragam alegria;
Então toquei a mesma canção
Enquanto ela chorou deliciada ao ouvir.
"Flautista, sente-se e escreva
Num livro para que leiam" -
Então ela desapareceu.
E eu catei um junco oco,
E fiz uma caneta rústica,
E Mergulhei-a nas águas claras
Para escrever as felizes canções
Que toda criança adora ouvir. 
 
 
 
O CHÃO E O SEIXO
 
Amor pra si não quer prazer
Nem a si mesmo quer cuidar
Mas ao outro o bem oferecer
Da dor do inferno um céu criar
Assim cantou o Chão de Lama
Pisado pelos pés do gado:
Porém um seixo do riacho
Trinou com som apropriado:
Amor só pra si quer prazer
Prender o outro ao seu deleite:
Goza em ver no outro o desprazer
Cria inferno do desdém celeste.
 
 
"Quem faz o bem ao outro deve fazê-lo nos mínimos detalhes. O Bem geral é a justificativa do imoral, do hipócrita e do falso."  

"Se as portas da percepção fossem limpas, tudo apareceria ao homem como realmente é: infinito". 

"Ver um mundo em um grão de areia/ e um céu numa flor selvagem/ é ter o infinito na palma da mão/ e a eternidade em uma hora". 
 
 
"O amor não busca agradar a si mesmo, 
 Nem destina qualquer cuidado a si próprio,
Mas se dá facilmente ao outro 
 E constrói um Paraíso no desespero do Inferno."

William Blake

  

"A gratidão é o próprio paraíso."

William Blake 

     

Feliz Natal! 

 As pinturas postadas são de autoria de William Blake

November 30

Oração Para Hoje

 

ORAÇÃO PARA HOJE

Que eu continue a acreditar no outro
mesmo sabendo de alguns valores
tão esquisitos que permeiam o mundo;

Que eu continue otimista,
mesmo sabendo
que o futuro que nos espera
nem sempre é tão alegre;

Que eu continue com
a vontade de viver,
mesmo sabendo que
a vida é,
em muitos momentos,
uma lição difícil de ser aprendida;
Que eu permaneça com
a vontade de ter grandes amigos(as),
mesmo sabendo que
com as voltas do mundo,
eles(as) vão indo embora de nossas vidas;

Que eu realimente sempre
a vontade de ajudar as pessoas,
mesmo sabendo que muitas delas
são incapazes de ver, sentir,
entender ou utilizar esta ajuda;

Que eu mantenha
meu equilíbrio,
mesmo sabendo que os desafios
são inúmeros
ao longo do caminho;

Que eu exteriorize
a vontade de amar,
entendendo que amar
não é sentimento de posse,
é sentimento de doação;

Que eu sustente
a luz e o brilho no olhar,
mesmo sabendo que
muitas coisas que vejo no mundo,
escurecem meus olhos;

Que eu retroalimente
minha garra, mesmo sabendo que
a derrota e a perda
são ingredientes
tão fortes quanto
o Sucesso e a Alegria;

Que eu atenda sempre mais
a minha intuição,
que sinaliza o que
de mais autêntico possuo;

Que eu pratique sempre mais
o sentimento de justiça,
mesmo em meio
à turbulência dos interesses;

Que eu não perca
o meu forte abraço,
e o distribua sempre;

Que eu perpetue
a Beleza e o Brilho de ver,
mesmo sabendo que as
lágrimas também brotam dos
meus olhos;

Que eu manifeste
o amor por minha família,
mesmo sabendo que ela
muitas vezes me exige muito
para manter sua harmonia;

Que eu acalente
a vontade de ser grande,
mesmo sabendo que
minha parcela de
contribuição no mundo
é pequena;

E, acima de tudo...
Que eu lembre sempre
que todos nós fazemos parte
desta maravilhosa teia chamada Vida,
criada por Alguém
bem superior a todos nós!
E que as grandes mudanças
não ocorrem
por grandes feitos de alguns
e, sim,
nas pequenas parcelas cotidianas
de todos nós!

(Autor Desconhecido)

Feliz Natal, ho ho ho!!!

November 16

Textos Xamânicos

 

Caminhos Desconhecidos...

"...você diz que sua vida não é emocionante, que as coisas maravilhosas que acontecem aos outros nunca acontecem para você. Você precisa se perguntar por que você não consegue ouvir este constante chamado da vida... Alguma coisa deve impedir que você ouça ou que você entenda o que ouve. Você pode até mesmo enxergar o que estou falando, se realmente quiser! O chamado acontece de todas as formas, a todo momento! Você apenas precisa estar atento. Atento e disponível. Com atenção e disponibilidade, sem nenhuma crítica, você começará a ouvi-lo. Quando isso acontecer, não permaneça parado! Não ouça a voz dentro de você dizendo para ser mais cuidadoso, que você precisa ser mais precavido e todas estas bobagens com que você já se acostumou, pois elas representam o seu medo do futuro! Confie! Jogue-se nos caminhos desconhecidos e inexplorados que estão sendo apontados! Somente neles está a energia que você tanto procura. Os caminhos que você está trilhando agora são todos conhecidos, seguros, mortos, sem nenhuma novidade. O que você espera deles? Nada de novo acontece onde você não quer que aconteça... o novo! Você de alguma forma sabe que os caminhos atuais estão mortos. Para trilhar caminhos novos, você precisa estar sempre alerta com o que acontece. Apenas pela sua prontidão, tudo passa a ser novidade. Neste estado de prontidão, mesmo quando voltar a trilhar os caminhos antigos, eles passarão a ser absolutamente novos! Você vai entender que não são os caminhos que envelhecem e ficam paralisados, mas a sua percepção deles, a forma como você os trilha. Se tiver dúvidas quanto ao que fazer, consulte o seu coração, seu melhor professor. E não deixe para amanhã... Faça agora! Ou me prove se esta coisa que você chama amanhã, realmente existe..." (White Goose)

 
Simplesmente Ouça...

"...eu não estou pedindo para você concordar comigo. Simplesmente ouça, não se incomode em concordar ou discordar. Se você apenas fizer isso, algo mágico acontece.
Se a verdade está no que está sendo dito, você será envolvido, seu ser inteiro será puxado como essa fumaça que vem para a minha boca através da pipa. Você se funde e se mistura com o que é dito, como o fumo sagrado, o fogo e a fumaça. Seu coração sente que "isso é verdadeiro", sem nenhuma razão. Confie! A confiança é a porta que o levará ao Grande Espírito. Não peço que acredite, pois uma crença pertence à razão, e é isso que você tem feito até agora: pensar a respeito, sem experimentar. Confie! Simplesmente coloque de lado todas as suas defesas, suas armas. Você já fez um pouco, ao entrar em minha cabana! Você confiou em mim, suas armas estão do lado de fora. Agora, torne-se vulnerável, pois quando você escuta alguma coisa de peito aberto, escuta tão totalmente que algo muito forte chega até você, não importando se é verdadeiro ou não. Quando você está totalmente vulnerável sua razão fica de lado, como suas armas, e o que é verdadeiro em você fica disponível. Se o que está ouvindo não for verdadeiro, você sabe. Se for verdadeiro, você também sabe! De alguma maneira, você sabe! Porque a verdade já habita em você, desde sempre. Quando ela se percebe ressoando no que está sendo dito é como se um tambor fosse tocado. Você toca um tambor e os outros tambores por perto vibram em conjunto. Um sentimento de plenitude toma conta de você e você sabe: é isso! De repente, tudo se encaixa, tudo fica claro, a confusão se vai... As nuvens do caos se dissipam e o céu estrelado fica todo disponível. As palavras perdem a importância. Você começou a ouvir o silêncio entre elas. Você está em casa..." White Goose


 
"Nós os indios, conhecemos o silêncio. Não temos medo dele. Na verdade, para nós ele é mais poderoso do que as palavras. Nosso ancestrais foram educados nas maneiras do silêncio e eles nos transmitiram esse conhecimento. "Observa, escuta, e logo atua", nos diziam. Esta é a maneira correta de viver.

Observa os animais para ver como cuidam se seus filhotes. Observa os anciões para ver como se comportam. Observa o homem branco para ver o que querem. Sempre observa primeiro, com o coração e a mente quietos, e então aprenderás. Quanto tiveres observado o suficiente, então poderás atuar.

Com vocês, brancos, é o contrário. Vocês aprendem falando. Dão prêmios às crianças que falam mais na escola. Em suas festas, todos tratam de falar. No trabalho estão sempre tendo reuniôes nas quais todos interrompem a todos, e todos falam cinco, dez, cem vezes. E chamam isso de "resolver um problema". Quando estão numa habitação e há silêncio, ficam nervosos. Precisam preencher o espaço com sons. Então, falam compulsivamente, mesmo antes de saber o que vão dizer.

Vocês gostam de discutir. Nem sequer permitem que o outro termine uma frase. Sempre interrompem. Para nós isso é muito desrespeitoso e muito estúpido, inclusive. Se começas a falar, eu não vou te interromper. Te escutarei. Talvez deixe de escuta-lo se não gostar do que estás dizendo. Mas não vou interromper-te. Quando terminares, tomarei minha decisão sobre o que disseste, mas não te direi se não estou de acorso, a menos que seja importante. Do contrário, simplesmente ficarei calado e me afastarei. Terás dito o que preciso saber. Não há mais nada a dizer. Mas isso não é suficiente para a maioria de vocês.

Deveríamos pensar nas suas palavras como se fossem sementes. Deveriam planta-las, e permiti-las crescer em silêncio. Nossos ancestrais nos ensinaram que a terra está sempre nos falando, e que devemos ficar em silêncio para escutá-la.

Existem muitas vozes além das nossas. Muitas vozes. Só vamos escutá-las em silêncio." - "Neither Wolf nor Dog. On Forgotten Roads with an Indian Elder" - Kent Nerburn
 
 
September 02

Madre Teresa de Calcutá

"Não Tinha completado ainda 12 anos, quando senti o desejo de ser missionária" 

"A vida é uma oportunidade, aproveite-a...
A vida é beleza, admire-a...
A vida é felicidade, deguste-a...
A vida é um sonho, torne-o realidade...
A vida é um desafio, enfrente-o...
A vida é um dever, cumpra-o...
A vida é um jogo, jogue-o...
A vida é preciosa, cuide dela...
A vida é uma riqueza, conserve-a...
A vida é amor, goze-o...
A vida é um mistério, descubra-o...
A vida é promessa, cumpra-a...
A vida é tristeza, supere-a...
A vida é um hino, cante-o...
A vida é uma luta, aceite-a...
A vida é aventura, arrisque-a...
A vida é alegria, mereça-a...
A vida é vida, defenda-a..."

 
"Um coração feliz é o resultado inevitável de um coração ardente de amor."

"Ontem foi embora. Amanhã ainda não veio. Temos somente hoje, comecemos."

"Qualquer ato de amor, por menor que seja, é um trabalho pela paz."
 
 

"Os pobres que buscamos podem morar perto ou longe de nós. Podem ser material ou espiritualmente pobres. Podem estas famintos de pão ou de amizade. Podem precisar de roupas ou do senso de riqueza que o amor de Deus representa para eles. Podem precisar do abrigo de uma casa feita de tijolos e cimento ou da confiança de possuírem um lugar em nossos corações."  


"Famintos de amor, Ele olha por vocês. Sedentos de amabilidade, Ele pede por vocês. Privado de lealdade, Ele espera em vocês. Desabrigados de asilo em seu coração, Ele procura por vocês. Você será esse alguém para Ele ?"
 
 
"Buscando a face de Deus em todas as coisas, em todas as pessoas, em todos os lugares, durante todo o tempo, e vendo a Sua mão em cada acontecimento - isso é contemplação no coração do mundo".
 
 
"O amor, para ser verdadeiro, tem de doer. Não basta dar o supérfluo a quem necessita, é preciso dar até que isso nos machuque."
 
 
"Nunca compreenderemos o quanto um simples sorriso pode fazer."
 
 
"Amar, ser verdadeiro, deve custar - deve ser árduo - deve esvaziar-nos do ego."
 
 
"Como Jesus, pertencemos ao mundo inteiro, vivendo não para nós mesmos, mas para os outros. A alegria do Senhor é a nossa força". 


 
 
"O mundo que Deus nos deu é mais do que suficiente, segundo os cientistas e pesquisadores, para todos; existe riqueza mais que de sobra para todos. É só uma questão de reparti-la bem, sem egoísmo. O aborto pode ser combatido mediante a adoção. Quem não quiser as crianças que vão nascer, que as dê a mim. Não rejeitarei uma só delas. Encontrarei uns pais para elas”.
Madre Teresa de Calcutá
July 29

Charles Chaplin

A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina.

Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente.

Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.

Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito

novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você

trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar

sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante, faz festas e se

prepara pra faculdade. Você vai pro colégio, tem várias

namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se

torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus

últimos nove meses de vida flutuando... E termina tudo com um

ótimo orgasmo! Não seria perfeito?"

Charles Chaplin

 
 

Considerado um dos mais inesquecíveis artistas de todos os tempos. Além de ator, foi diretor, produtor e autor cinematográfico. Nascido em Londres, em 16 de abril de 1889. De origem humilde, passou grande parte da infância em um orfanato. Sua mãe, Hannah, uma atriz mal sucedida, vivia em instituições psiquiátricas durante a infância do filho. O padrasto, alcoólatra, abandonou sua mãe quando Chaplin ainda era criança. Desconhecia a identidade do pai verdadeiro. Sua primeira aparição no palco, aos cinco anos, foi cantando uma música no lugar de sua mãe que estava doente.

Continuou a trabalhar durante a infância e quando adolescente uniu-se ao espetáculo de variedades Karno Company que o levou para os Estados Unidos em 1910. Depois de uma segunda turnê pelos EUA em 1912, ele se uniu à Keystone Company e então iniciou sua lendária carreira em Hollywood.

Inspirou a vida de muitas pessoas com suas comédias e personagens criativos, atingindo fama mundial através do cinema mudo.

Recebeu inúmeros prêmios durante sua carreira, foi o primeiro ator, até então, a ser capa da revista TIME em 1925. Ganhou um prêmio por “versatilidade e genialidade na escrita, atuação, direção e produção” no primeiro Academy Awards em 1975.

Enquanto morava na Suiça com sua família, Charlie Chaplin faleceu em 25 de Dezembro de 1977, aos 89 anos.

 
 

ACREDITE

Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite.

É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje.

Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a poluição.

Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças,

 evitando o desperdício.

 
 

Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo.

Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo

 o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido.

Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho.

Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus.

Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar

 com a possibilidade de fazer novas amizades.

 
 
 

Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.

O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser.
E aqui estou eu,
o escultor que pode dar forma.

Tudo depende só de mim.

 
 
Sorria.
Mas não se esconda atrás deste sorriso.
Mostre aquilo que você é. Sem medo.
Existem pessoas que sonham.

Viva. Tente.
Felicidade é o resultado dessa tentativa.

 
 

Ame acima de tudo.
Ame a tudo e a todos.
Deles depende a felicidade completa.
Procure o que há de bom em tudo e em todos.

 Não faça dos defeitos uma distância e, sim uma aproximação.

 
 

Aceite. A vida, as pessoas.
Faça delas a sua razão de viver.

Entenda os que pensam diferentemente de você. Não os reprove.

Olhe à sua volta, quantos amigos...
você já tornou alguém feliz?
Ou fez alguém sofrer com o seu egoísmo?
Não corra... Para que tanta pressa?
Corra apenas para dentro de você. 
 

 
 

Sonhe,
mas não transforme esse sonho em fuga.

Acredite! Espere!
Sempre deve haver uma esperança.
Sempre brilhará uma estrela.

 
 

Chore! Lute!
Faça aquilo que você gosta. Sinta o que há dentro de você.

Ouça...
Escute o que as pessoas têm a lhe dizer.
É importante.

Faça dos obstáculos degraus para aquilo que você acha supremo...

Mas não esqueça daqueles que não conseguiram subir a escada da vida.  

 
 

Descubra aquilo de bom dentro de você. Procure acima de tudo ser gente.

Eu também vou tentar.

Sou feliz...

Porque você existe!

 
 

Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Charles Chaplin

 
June 03

Gilberto Gil

 

“Música é parte de nosso universo, parte de nossa identidade coletiva. Música pode mudar o mundo e muda com o mundo. A música é uma das linguagens mais disseminadas na face da terra. A humanidade desenvolveu a música como uma de suas formas de comunicação mais importantes. Através da música comunicamos a nós mesmos que o mundo gira.”

Gilberto Gil

 

 

Estrela

Há de surgir
Uma estrela no céu
Cada vez que ocê sorrir
Há de apagar
Uma estrela no céu
cada vez que ocê chorar
O contrário também
bem que pode acontecer
De uma estrela brilhar
Quando a lágrima cair
Ou então
De uma estrela cadente se jogar
Só pra ver
A flor do seu sorriso se abrir
Hum!
Deus fará
absurdos contanto que a vida seja assim
Sim, um altar
onde a gente celebre tudo o quÉle consentir.

 

  

A Linha e o Linho

É a sua vida que eu quero bordar na minha
Como se eu fosse o pano e você fosse a linha
E a agulha do real nas mãos da fantasia
Fosse bordando ponto-a-ponto nosso dia-a-dia
E fosse aparecendo aos poucos nosso amor
Os nossos sentimentos loucos, nosso amor
O zig-zag do tormento, as cores da alegria
A curva generosa da compreensão
Formando a pétala da rosa, da paixão
A sua vida, o meu caminho, nosso amor
Você a linha, e eu o linho, nosso amor
Nossa colcha de cama, nossa toalha de mesa
Reproduzidos no bordado a casa, a estrada, a correnteza
O sol, a ave, a árvore, o ninho da beleza

 


 

“Estou agora com 63 anos. A idade ajuda na adaptação às contínuas transformações da vida. Em deixá-la correr. Deixá-la sangrar. Deixá-la ser. To let it be. E eu me sinto cada vez melhor com ela. É um estado de felicidade, no qual estou sempre feliz com tudo o que acontece comigo. Afora um pequeno rumor que sempre permanece, a morte não me causa medo.”

Gilberto Gil

 
 
 
A Paz
A paz invadiu o meu coração
De repente, me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais
A paz fez um mar da revolução
Invadir meu destino; A paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz
Eu pensei em mim
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição
Só a guerra faz
Nosso amor em paz
Eu vim
Vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos "ais"  
 
 
 
  SE EU QUISER FALAR COM DEUS
 
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar
Se eu quiser falar com Deus
 
 
 

“A meditação tornou-se uma atitude de espírito. Às vezes medito dormindo, às vezes simplesmente deixo a corrente do espaço e tempo dar forma aos meus pensamentos. Meditação quer dizer: se aperceber das coisas.”

Gilberto Gil

 
 
Superhomem a Canção
 
Um dia
Vivi a ilusão de que ser homem bastaria
Que o mundo masculino tudo me daria
Do que eu quisesse ter

Que nada
Minha porção mulher, que até então se resguardara
É a porção melhor que trago em mim agora
É que me faz viver

Quem dera
Pudesse todo homem compreender, oh, mãe, quem dera
Ser o verão o apogeu da primavera
E só por ela ser

Quem sabe
O Superhomem venha nos restituir a glória
Mudando como um deus o curso da história
Por causa da mulher
 
 
  
 
 A Abóbada da Vida

 

É a abóbada
Lá no alto da cabeça
De onde a alma brilha pendulada
Como um cristal num pingente
É a mente
É a mente atônita
Descendo e subindo a escada
Da coluna vertebral da gente
Tentando alcançar a abóbada
Da vida
É a vida abobalhada
Ilhada dentro do corpo
Notre Dame imaculada
Órgãos por todos os lados
Tocando música
E os olhos da vida em êxtase
Vendo a alma brilhar pendulada
Presa no alto da abóbada
Da vida

 
 
 

“O Brasil necessita, neste momento, dar ao mundo um exemplo de cidadania, de solidariedade e de amor. Acabar com a fome no Brasil não é só um compromisso nacional. É também um dever moral para com o nosso planeta.”

Gilberto Gil

April 23

Poesias - Denise Delfim

“A emoção é a poesia da alma.”

Denise Delfim

 

 

Mergulho n’água.

Sem olhos e sem ar,

apago a dor do nado.

Passado em frente,

Eu rio

E em minhas margens

Um coração flutua

Em lágrimas que evaporam

Meu tempo.

Pela correnteza, vejo o sol

Enquanto na superfície

Reflito o céu,

Do Eu infinito.

 

 

Projeções etéreas

que em forma de matéria

Agem em comum.

Fonte do mesmo sol,

Ecos e reflexos anônimos

Se conformam...

Feito flores,

Espécies de todas as cores

Que se alimentam de luz. 

 
 

Da nascente,

Vou-me em gotas

Rio de poros,

Que vertem cores

E evaporam

Minha razão

Mistura líquida

Doce e salgada

Na correnteza

Ciclo de energia

Química

Que vai do bicho ao abstrato.

Cio para descompreender

O “Eu Sou”.

 

 

Cultivar o Bem

Estar

Buscar o perfeito

E na forma imperfeita

Ser

Presente

Da Terra

Para alimentar o eterno.

 

***********************************

Não ser  contentado

Ser contente.

 

Aos olhos que vislumbram o horizonte,

Ele sempre o será,

Por estar distante.

 

Fazer as coisas de graça.

E receber a graça de Deus

 

Saudade é ser

Depois de ter

 

Aquele que não é uma fonte, sempre terá sede.*

 

A falta de Deus em alguns é a miséria de muitos.

 

Todo homem é uma estrela

que brilha e opaca entre as nuvens

 

Senhor, meu coração rege por ti uma orquestra.

Com passo, acompanho, entre linhas.

 

Ser como a brisa, que acaricia sem perceber.

 

Tudo é uma questão de ponto de vista e boa-vontade.

 

A estreiteza de espírito provoca tudo o que é mesquinho.

Como a estupidez não vê, o coração não sente.

 

A emoção é a poesia da alma.

 

 

Vida

Ilusão passageira.

Luz que vagueia

Ensombra, sob o sol,

Que cega e trama

Teias

Do ente e escravo

Do espaço

Do tempo.

Corpo

Que envelhece

Dentro da gravidade.

 

Ser que encarna

E espreita

O Todo

Luz alémTerra

Mesmo sendo fera-mundo.

 

***********************************

Ser interno e externo.

Dois mundos, duas soluções...

O contrário equilibrando-se lá fora.

A fé, sem contras, aqui dentro.

 

***********************************

Que eu, enquanto vida,

Faça a minha parte

Pelo Bem da Vontade

Divina, que me sustenta.

Que da Terra tudo aflua

Brote, Atue...

Pela paz de cada ser Deus

Em Si mesmo

Na unidade da Lua,

ponto de luz que ilumina

Graças ao reflexo de Sol.

 

 

Letras vivas dentro dos homens

Expressões abstradas,

No papel em branco

São auto-reveladas.

Inconsciênte coletivo

Em frequência com a complexidade

Ondas mentais que captam

mensagens e traduzem

Eternidade

 

***********************************

Da Terra e do Céu

Aqui reflete.

Nas janelas de vidro

Espelho.

Imagens em movimento

Presas da gravidade.

 

Reflexos

No véu da cidade

Que pulsa

A essência da vida

Sobre o asfalto

Entre paredes,

O selvagem

Ser Divino

 

Em Mi

O Sol

Ré toca do Fá

Si dar sem Dó

Eu música!

O que for

A cada instante

Essência plena do agora

E para sempre.

 

***********************************

Eu e a vontade eterna do saber

Ser fonte de vida

E jorrar no mar das coisas

Vão plano do artifício

Onde, submerso,

Pela correnteza humana

Flutuo, preso à gravidade.

 

 

Pingo d’agua

Chuva

Que ao cair na terra

Chora e evapora

Minha lágrima

 

***********************************

Entre o frio e a alma

Eu-bicho, através de outros

Sintomas que confirmam

A sensação de desconforto

Mas o coração quente

De busca enquanto ser

Sente a emoção desperta

De que também sou deus

 

 

Pincelei o ar

Contornei o limite

Para esculpir a terra que piso

E dar cor à água que choro

Sou cria e sinto

Sou deus e crio

Retrato o eterno

 

***********************************

Vento que bate no corpo

E reflete o espírito

Mas não tira a terra

Momento insano e concreto

No tempo que envelhece por fora

E transforma por dentro

Falta de ar ao ver a rotina

Da natureza indefinida

Sob a essência livre

Entre quatro paredes

 

***********************************

Chão de estrelas

Que dão teto

Para outras distâncias

Pontos em comum

Expandem-se

À distração do corpo

Harmonia essencial

Nota musical

Que toca a vida

 

Constelações infinitas

Dão linha

À dimensão que traças e toca

 

 

Império celeste sobre a terra

Parte eterna até que una

o ponto que ampara e enfita

o laço invisível

 

 

Iluminado

É o riso

Que vem à tôa

Cheio de graça

Para contagiar

Cada pedra

Planta

Estrela

 

***********************************

Vem de leve e me faz dormir

Ninando-me como fosse uma criança

Que tem sede do amanhecer

E medo do escuro

 

Vem de leve e me mostre os sonhos

Formas inconscientes da verdade

Que passam dentro do descanso

Em sonâmbulos desejos escondidos

 

Vem de leve e acorda-me

Beija a minha face

E me faz crer que não houve pesadelo

Recorda-me deste mundo

E conforta-me desta memória

 

 

Denise Delfim é poetisa, artista plástica e jornalista, editora do jornal “Pedaço da Vila”, do famoso bairro da Vila Mariana situado em São Paulo.

Mística, profunda e com alma de criança, Denise sonha com um mundo mais humanizado, pacífico e solidário. E é através deste sonho que embasa o seu ideal de vida.

www.pedaçodavila.com.br

p.davila@terra.com.br

 

PARABÉNS, MINHA GRANDE AMIGA, POR TUDO O QUE É!

February 22

Guimarães Rosa

“Vivo no infinito; o momento não conta. Vou lhe revelar um segredo: creio já ter vivido uma vez. Nesta vida também fui brasileiro e me chamava João Guimarães Rosa”

 

"Tenho horror ao efêmero."

 

 

João Guimarães Rosa (1908-1967), nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, e faleceu no Rio de Janeiro. Formado em Medicina, exerceu a profissão no interior de seu estado natal. Ingressou, em 1934, na carreira diplomática e ocupou vários postos no exterior.

Autodidata, começou ainda criança a estudar diversos idiomas, iniciando pelo francês quando ainda não tinha 7 anos.

A publicação do livro de contos Sagarana, em 1946, garantiu-lhe um privilegiado lugar de destaque no panorama da literatura brasileira, pela linguagem inovadora, pela singular estrutura narrativa e a riqueza de simbologia dos seus contos.

 

 

 

 

Além do prêmio da Academia Brasileira de Letras conferido a Magma, Guimarães Rosa recebeu o Prêmio Filipe d’Oliveira pelo livro Sagarana (1946); Grande sertão: Veredas recebeu o Prêmio Machado de Assis, do Instituto Nacional do Livro, o Prêmio Carmen Dolores Barbosa (1956) e o Prêmio Paula Brito (1957); Primeiras estórias recebeu o Prêmio do PEN Clube do Brasil (1963).

Traduzido para vários idiomas, Guimarães Rosa foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1963. Mas só tomou posse três dias antes de morrer, em 19 de novembro de 1967, na cidade do Rio de Janeiro.

Obras: Sagarana, contos (1946); Com o vaqueiro Mariano, conto (1952); Corpo de baile, ciclo novelesco, 2 vols. (1956). Esta obra foi desdobrada, a partir da terceira edição (1964), em três volumes: Manuelzão e Miguilim, No Urubuquaquá, no Pinhém, e Noites do sertão; Grande sertão: Veredas, romance (1956); Primeiras estórias, contos (1962); Tutaméia (Terceiras estórias), contos (1967); Estas estórias, contos (1969); Ave, palavra, diversos (1970); além de obras em colaboração: O mistério dos MMM (1962) e Os sete pecados capitais (1964).

 

 


"Quando escrevo, repito o que já vivi antes. 
E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente. 
Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo 
vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser 
um crocodilo porque amo os grandes rios, 
pois são profundos como a alma de um homem. 
Na superfície são muito vivazes e claros, 
mas nas profundezas são tranqüilos e escuros 
como o sofrimento dos homens."

 


“Desconfio que sou um individualista feroz, mas disciplinadíssimo. Com aversão ao histórico, ao político, ao sociológico. Acho que a vida neste planeta é caos, queda, desordem essencial, irremediável aqui, tudo fora de foco. Sou só RELIGIÃO – mas impossível de qualquer associação ou organização religiosa: tudo é o quente diálogo (tentativa de) com o . O mais, você deduz.”

 

 

 

"Tudo se finge, primeiro; germina autêntico é depois."

  

“Quando escrevo, repito o que já vivi antes. E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente. Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser um crocodilo porque amo os grandes rios, pois são profundos como a alma de um homem. Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas profundezas são tranqüilos e escuros como o sofrimento dos homens.”

 

 

"Às vezes, quase acredito que eu mesmo,
João, seja um conto contado por mim."

 

"Que nasci no ano de 1908, você já sabe. Você não deveria me pedir mais dados numéricos. Minha biografia, sobretudo minha biografia literária, não deveria ser crucificada em anos. As aventuras não têm princípio nem fim. E meus livros são aventuras; para mim são minha maior aventura."

 

 

 

"Não gosto de falar em infância. É um tempo de coisas boas, mas sempre com pessoas grandes incomodando a gente, intervindo, estragando os prazeres. Recordando o tempo de criança, vejo por lá excesso de adultos, todos eles, os mais queridos, ao modo de policiais do invasor, em terra ocupada. Fui rancoroso e revolucionário permanente, então. Gostava de estudar sozinho e de brincar de geografia. Mas, tempo bom, de verdade, só começou com a conquista de algum isolamento, com a segurança de poder fechar-me num quarto e trancar a porta. Deitar no chão e imaginar estórias, poemas, romances, botando todo mundo conhecido como personagem, misturando as melhores coisas vistas e ouvidas."

 

 

 

"Chegamos novamente a um ponto em que o homem e sua biografia resultam em algo completamente novo. Sim, fui médico, rebelde, soldado. Foram etapas importantes de minha vida, e, a rigor, esta sucessão constitui um paradoxo. Como médico, conheci o valor do sofrimento; como rebelde, o valor da consciência; como soldado, o valor da proximidade da morte."

 

 

 

"Quanto mais ando, querendo pessoas, parece que entro mais no sozinho do vago..." - foi o que pensei na ocasião. De pensar assim me desvalendo. Eu tinha culpa de tudo, na minha vida, e não sabia como não ter. Apertou em mim aquela tristeza, da pior de todas, que é a sem razão de motivo; que, quando notei que estava com dor-de-cabeça, e achei que por certo a tristeza vinha era daquilo, isso até me serviu de bom consolo. E eu nem sabia mais o montante que queria, nem aonde eu extenso ia.
Grande Sertão:Veredas

 

 

“Quando a gente dorme, vira de tudo: vira pedras, vira flor. O que sinto, e esforço em dizer ao senhor, repondo minhas lembranças, não consigo; por tanto é que refiro tudo nestas fantasias. Dormi nos ventos. Quando acordei, não cri: tudo o que é bonito é absurdo - Deus estável. Ouro e prata que Diadorim aparecia ali, a uns dois passos de mim, me vigiava. Sério, quieto, feito ele mesmo, só igual a ele mesmo nesta vida.”
Grande Sertão: Veredas

 

 

 

"Arco íris proxíssimo! parece andar com o trem. Seu verde é belo - bórico - vê-se o roxo, anil. Não tem raízes, não se encosta no chão. Está do lado oeste, onde há nuvens estranhas, escuras, de trombas d'água. E cidades e aldeias sobre montes, grimpas. Do lado do mar, o sol se abaixa. Tudo claro. como o trem divide o mundo"
Grande Sertão: Veredas

 

 

 

"Mãe, que é que é o mar, mãe? Mar era longe, muito longe dali, espécie de lagoa enorme, um mundo d'água sem fim. Mãe mesma nunca tinha avistado o mar, suspirava. 'Pois mãe, então o mar é o que a gente tem saudade?'
Campo Geral

 

 

"A beleza aqui é como se a gente a bebesse, em copo, taça, longos, preciosos goles servida por Deus. É de pensar que também há um direito à beleza, que dar beleza a quem tem fome de beleza é também um dever cristão."

Grande Sertão: Veredas

 

 

 

"Ficamos sem saber o que era João
e se João existiu
de se pegar"
Carlos Drummond de Andrade

January 28

Fernando Pessoa

"O único mistério do Universo é o mais e não o menos.
Percebemos demais as cousas — eis o erro, a dúvida.
O que existe transcende para mim o que julgo que existe.
A Realidade é apenas real e não pensada.”

 

  

"Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,
Quanto mais personalidades eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora."

 

 

A felicidade exige valentia!

"Posso ter  defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não
esqueço de que  minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser  feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria  história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si  mesmo. É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma  crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo... "

 


Fernando António Nogueira Pessoa nasceu em 1888, em Lisboa, aí morreu em 1935. Aos cinco anos o seu pai morreu de tuberculose. Passou nove anos da sua infância em Durban, na colónia britânica da África do Sul, onde o seu padrasto era o cônsul Português.

 

 

Pessoa era um rapaz tímido e um brilhante estudante, cheio de

imaginação.Pouco depois de completar 17 anos, voltou a Lisboa para entrar na universidade, que cedo abandonou, preferindo estudar por sua própria conta, na Biblioteca Nacional, onde leu sistematicamente os grandes clássicos da filosofia, da história, da sociologia e da literatura (portuguesa em particular) a fim de completar e expandir a educação tradicional inglesa que recebera na África do Sul. A sua produção de poesia e de prosa em Inglês foi intensa, durante este período, e por volta de 1910, já escrevia também muito em Português. Publicou o seu primeiro ensaio de crítica literária em 1912, o primeiro texto de prosa criativa (um trecho do Livro do Desassossego) em 1913, e os primeiros poemas em 1914.

 

 

Ganhava a vida fazendo traduções ocasionais e redação de cartas em inglês e francês para firmas portuguesas com negócios no estrangeiro. Embora solitário por natureza, com uma vida social limitada e quase sem vida amorosa, foi um líder ativo do movimento Modernista em Portugal, na década de 10, e ele próprio inventou vários movimentos, incluindo um "Interseccionismo" de inspiração cubista e um estridente e semi-futurista

Pessoa estava convicto do próprio gênio, e vivia em função da sua escrita. Embora não tivesse pressa em publicar, tinha planos grandiosos para edições da sua obra completa em Português e Inglês e, ao que parece, guardou a quase totalidade daquilo que escreveu.

Familiares de Pessoa descreveram-no como afetuoso e bem humorado, mas firmemente reservado. Ninguém fazia idéia de quão imenso e variado era o universo literário acumulado no grande baú, onde ele ia guardando os seus escritos ao longo dos anos.

 

 

O conteúdo desse baú - que hoje constitui o Espólio de Pessoa na Biblioteca Nacional de Lisboa - compreende os originais de mais de 25 mil folhas com poesia, prosa, peças de teatro, filosofia, crítica, traduções, teoria lingüística, textos políticos, horóscopos e outros textos sortidos, tanto datilografados como escritos ou rabiscados ilegivelmente à mão, em Português, Inglês e Francês.

Fernando Pessoa apresentou os vários nomes sob os quais escreveu prosa e poesia como heterônimos, em vez de pseudônimos, já que eles não eram meramente nomes falsos, mas pertenciam antes a outros "eus" inventados, escritores ficcionados, cujos pontos de vista e estilos literários ele não tinha necessariamente que partilhar.

 


Pessoa escreveu sob mais de 75 nomes diferentes, mas houve três heterônimos poéticos que se destacaram de todos os outros: Alberto Caeiro, um poeta naif, quase sem estudos, que vivia no campo e alegava não ter qualquer filosofia; Ricardo Reis, um clássico que escreveu odes melancólicas ao estilo de Horácio, e Álvaro de Campos, um engenheiro naval que, quando começou a escrever, era uma espécie de Walt Whitman futurista, mas cujos poemas posteriores seriam marcados por uma dolorosa auto-análise. Quando escrevia sob o seu próprio nome, Pessoa era também auto-analítico mas, curiosamente, assumia uma maior distância dos seus problemas existenciais.

 

 

O livro do Desassossego, é a soma  e o resto de toda a análise espectral das vivências que fervilhavam dentro do homem Fernando Pessoa e que englobam " o racionalismo transcendental de Fernando Pessoa; o misticismo irónico e frio de outro Fernando Pessoa; a meditação existencial de Alvaro de Campos; o empirio-criticismo de Alberto-Caeiro; a consciência cansadamente hedonística da fugacidade de tudo, que era Ricardo Reis; o neo-positivismo espiritualista do autor dos 35  a lascívia refinada do autor de "Antinous", o Sonnets, anarquismo paradoxal do Banqueiro etc".

 

 

 

“Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.”

 

 

“Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu escrevo.”

 

 

“A borboleta não tem cor e sim a cor que tem cor nas asas da borboleta”.

 

 

“A vida é um hospital
Onde quase tudo falta.
Por isso ninguém se cura
E morrer é que é ter alta.”

 

“Só a loucura é que é grande!
E só ela é que é feliz!”

 

“Pensar em nada
é ter a alma própria e inteira.
Pensar em nada
É viver intimamente

O fluxo e o refluxo da vida.” 

          

 

"Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu."

 

“Ao longe, ao luar,
No rio uma vela
Serena a passar,
Que é que me revela?

Não sei, mas meu ser
Tornou-se-me estranho,
E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.

Que angústia me enlaça?
Que amor não se explica?
É a vela que passa
Na noite que fica.”

 

“Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.”

 

 

 

“Às vezes sou o Deus que trago em mim
E então eu sou o Deus, o crente e a prece
E a imagem de marfim
Em que esse Deus se esquece.

Às vezes não sou mais que um ateu
Desse Deus meu que eu sou quando me exalto.
Olho em mim todo um céu
E é um mero oco céu alto.”

 

“Eu amo tudo que foi,
Tudo que já não é,
A dor que já não me dói.
A antiga e a errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi e voou
E hoje é já outro dia.”

 


 

A abelha que, voando, freme sobre

A colorida flor, e pousa, quase

Sem diferença dela

À vista que não olha,

Não mudou desde Cecrops.  Só quem vive

Uma vida com ser que se conhece

Envelhece, distinto

Da espécie de que vive.

Ela é a mesma que outra que não ela.

Só nós — ó tempo, ó alma, ó vida, ó morte! —

Mortalmente compramos

Ter mais vida que a vida.


 

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

 

 

“Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúdica e rica,
E eu sou um mar de sargaço

Um mar onde bóiam lentos
Fragmentos de um mar de além...
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.”

 

 

O amor quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah! Mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

 

“Não digas nada: sê!” 

 

"Navegar é preciso;  viver não é preciso".

 

“Tudo vale a pena se a alma não é pequena”

 

"A finalidade da arte é elevar."

 

"O artista como artista sente menos do que os outros homens porque produz ao mesmo tempo que sente, e nesse caso há uma dualidade de espírito incompatível com o estar entregue a um sentimento."

 

"Senhor, que és o céu e a terra, que és a vida e a morte..."

 

"Se a obra de arte proviesse da intenção de fazê-la..."

 

"Quem quer que seja de algum modo um poeta sabe muito bem..."

 

"Era eu um poeta estimulado pela filosofia e não um..."

 

"Tem duas formas, ou modos, o que chamamos cultura."

 

"Em certos casos, quanto mais nobre o gênio, menos nobre o destino..."

 

 

O meu olhar é nítido como um girassol.
     Tenho o costume de andar pelas estradas
     Olhando para a direita e para a esquerda,
     E de, vez em quando olhando para trás...
     E o que vejo a cada momento
     É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
     E eu sei dar por isso muito bem...
     Sei ter o pasmo essencial
     Que tem uma criança se, ao nascer,
     Reparasse que nascera deveras...
     Sinto-me nascido a cada momento
     Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
     Porque o vejo.  Mas não penso nele
     Porque pensar é não compreender ...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
     (Pensar é estar doente dos olhos)                  
     Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
     Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
     Mas porque a amo, e amo-a por isso,

Porque quem ama nunca sabe o que ama
     Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
     Amar é a eterna inocência,
     E a única inocência não pensar...

 

 

"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver,
acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao
mundo e maior amor ao coração dos homens."

Fernando Pessoa

January 24

Mário Quintana

"...Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão... que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim,e que eu sempre dei o melhor de mim...e que valeu a pena!"

Mário Quintana 
 
 

DAS UTOPIAS

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!
 
 

EU ESCREVI UM POEMA TRISTE

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

 
 

RECORDO AINDA

Recordo ainda... e nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...

Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...

Estrada afora após segui... Mas, aí,
Embora idade e senso eu aparente
Não vos iludais o velho que aqui vai:

Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai!...
Que envelheceu, um dia, de repente!...

 

OS POEMAS

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

 
 

DA OBSERVAÇÃO

Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...

 
 

OS DEGRAUS

Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...

 
 

o vento e eu

O vento morria de tédio
porque apenas gostava de cantar
mas não tinha letra alguma para a sua própria voz,
cada vez mais vazia...
tentei então compor-lhe uma canção
tão comprida como a minha vida
e com aventuras espantosas que eu inventava de súbito,
como aquela em que menino eu fui roubado pelos ciganos
e fiquei vagando sem pátria, sem família, sem nada neste vasto mundo...
mas o vento, por isso
me julga agora como ele...
e me dedica um amor solidário, profundo!

 

 

Essa Lembrança Que Nos Vem

Essa lembrança que nos vem às vezes...
folha súbita
que tomba
abrindo na memória a flor silenciosa
de mil e uma pétalas concêntricas...
Essa lembrança...mas de onde? de quem?
Essa lembrança talvez nem seja nossa,
mas de alguém que, pensando em nós, só possa
mandar um eco do seu pensamento
nessa mensagem pelos céus perdida...
Ai! Tão perdida
que nem se possa saber mais de quem!

 

 
 

O Silêncio

O mundo, às vezes, fica-me tão insignificativo
Como um filme que houvesse perdido de repente o som.
Vejo homens, mulheres: peixes abrindo e fechando a boca num aquário.
Ou multidões: macacos pula-pulando nas arquibancadas dos estádios...
Mas o mais triste é essa tristeza toda colorida dos carnavais
Como a maquilagem das velhas prostitutas fazendo trottoir.
Às vezes eu penso que já fui um dia um rei, imóvel no seu palanque,
Obrigado a ficar olhando
Intermináveis desfiles, torneios, procissões, tudo isso...
Oh! Decididamente o meu reino não é deste mundo!
Nem do outro...

 

 

Bilhete

Se tu me amas,
ama-me baixinho.
Não o grites de cima dos telhados,
deixa em paz os passarinhos.
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho,
amada,
que a vida é breve,
e o amor
mais breve ainda.

Eu ouço música como quem apanha chuva:
resignado
e triste
de saber que existe um mundo
do Outro Mundo...
 
 

EU OUÇO MÚSICA

Eu ouço música como quem está morto
e sente
um profundo desconforto
de me verem ainda neste mundo de cá...
Perdoai,
maestros,
meu estranho ar!
Eu ouço música como um anjo doente
que não pode voar.

  

 
 

A VERDADEIRA ARTE DE VIAJAR 

A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!

 

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MARIO QUINTANA POR MARIO QUINTANA
( texto escrito pelo poeta para a revista Isto É de 14/11/1984 )

Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Há ! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai ! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas : ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a eternidade.

Nasci do rigor do inverno, temperatura : 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro – o mesmo tendo acontecido a Sir Isaac Newton ! Excusez du peu.

Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso ! sou é caladão, instrospectivo. Não sei por que sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros ?

Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de fármacia durante 5 anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Veríssimo – que bem sabem ( ou souberam) , o que é a luta amorosa com as palavras.

 

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“Ser poeta não é dizer grandes coisas, mas ter uma voz reconhecível dentre todas as outras.

Mário Quintana

 

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January 20

Rachel de Queiroz

 
“ A criatura humana me fascina muito e me comove. Quando escrevo, tenho o ser humano como objeto da minha narrativa.”
(Rachel de Queiroz)
 
 
 
 

“A grandeza de Rachel de Queiroz  vem da sua naturalidade de gênio criador. É uma força da natureza que leu a Santa Bíblia de Nosso Senhor (...) o seu lirismo lírico, a força das imagens, o sentido da terra, ao mesmo tempo que o ritmo poético como de canto de Salmo.”

(José Lins do Rego)

 

 
 
 
“O amor é jogo forte, só vale no tudo ou no nada: amar é uma aventura heróica e insuperável...Fora disso, tudo é perfumaria, amor suposto, talvez querer bem ou gostar – amor, nunca.”
 
 
 
 

Foi a  primeira mulher a ingressar na “Academia Brasileira de Letras”. Publicou 23 livros individuais e quatro em parceria. Sua vasta e preciosa obra está traduzida e publicada em francês, inglês, alemão e japonês. Além disso, traduziu 45 obras para o português, sendo 38 romances. Colaborou semanalmente com crônicas no jornal “O Estado de São Paulo”. Poderia entrar para a História como uma pioneira do feminismo.

 

 

Nasceu em Fortaleza, Ceará, em novembro de 1910.Viveu parte de sua infância na capital do estado e parte, no interior, na fazenda dos pais. Depois da seca de 1915, que atingiu a propriedade familiar, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ficou por pouco tempo, transferindo-se para o Belém do Pará.

De volta ao Ceará, em 1921, retomou os estudos regulares, como interna do Colégio Imaculada Conceição, formando-se professora em 1925. Ingressou no jornalismo como cronista, em 1927. Em 1930, lançou seu primeiro romance O Quinze  que recebeu o primeiro prêmio, concedido pela Fundação Graça Aranha. Em 1931, veio ao Rio de Janeiro para recebê-lo, onde travou contato com o Partido Comunista Brasileiro. Nos anos seguintes, participou da ação política de esquerda, pela qual foi presa em 1937. Sem abandonar a ficção, continuou colaborando regularmente com jornais e revistas, dedicando-se à crônica jornalística, ao teatro e à tradução. Foi, durante muito tempo, cronista exclusiva da revista O Cruzeiro.

Inserida no modernismo, a prosa regionalista de Rachel de Queiroz retrata, numa linguagem enxuta e viva, o nordeste; mais precisamente o Ceará. Além do interesse social, o flagelo da seca e o coronelismo, seus dois primeiros romances - O Quinze e João Miguel - demonstram sua preocupação com os traços psicológicos do homem daquela região que, pressionado por forças atávicas, aceita fatalisticamente seu destino. Essa harmonização entre o social e o psicológico demonstra uma nova tomada de posição na temática do romance nordestino. A mesma abordagem se aplica aos dois romances seguintes: Caminho de Pedras e As Três Marias. O primeiro é conscientemente político-social e as características psicológicas estão aí valorizadas. No entanto, em As Três Marias elas atingem o seu máximo.

 

 

Escreveu os seguintes romances:O Quinze (1930), João Miguel (1932), Caminho de Pedras (1937), AsTrês Marias (1939), Dôra, Doralina (1975), O Galo de Ouro (1985) e Memorial de Maria Moura (1992);os livros infantis, O Menino Mágico (1969), Cafuti e Pena de Prata (1986) e Andira; as peças teatrais Lampião (1935), A Beata Maria do Egito (1958); as crônicas A Donzela e a Moura Torta (1948), 100 Crônicas Escolhidas (1958), O Brasileiro Perplexo (1964), O Caçador de Tatu e Outras Crônicas (1967), As Menininhas e Outras Crônicas (1976), O Jogador de Sinuca e Mais Historinhas (1980);  memórias,Tantos Anos (1998) e culinária,O Não Me Deixes (2000).

Despojada e humilde, Raquel de Queiroz se autodefinia: “Eu não faço grande uso de mim mesma, e, portanto, da minha chamada ‘obra’. Eu fiz uns livrinhos, estão aí, tomara que as pessoas continuem gostando”.

Com a mesma serenidade que parece tê-la acompanhado ao longo de seus 92 anos de vida, Raquel de Queiroz morreu enquanto dormia, de infarto, no dia 4 de novembro de 2003.

 

 

 

“Amigo é coisa  muito séria . Acho que a gente pode viver sem emprego, sem dinheiro, sem saúde e até sem amor, mas sem amigos, nunca. Pois o amigo é capaz de suprir discretamente essas faltas e lhe conseguir trabalho, lhe emprestar dinheiro, lhe tratar na doença.”

 

 

 

“Respeite seus amigos. Isso é essencial. Não procure influir neles, governa-los ou corrigi-los. Aceite-os como são. O lindo da amizade é saber que a gente é querida a despeito de todos os nossos defeitos.”

 

 

“Amigo é como cachaça;quanto mais velho, melhor.”

(100 Crônicas Escolhidas)

 

 

“ A autonomia, a liberdade de consciência para mim é fundamental.”

 

 

 “A gente só descobre quanto o mundo é grande e despovoado quando se anda nele perdido.”

(Memorial de Maria Moura)

 

 

“Esqueça-se de si , o mais que puder – sincera, humildemente.Olhe os outros com olhos desprevenidos, olhe o mundo, olhe as coisas...”

(100 Crônicas Escolhidas)

 

 

“Se nada se perde no mundo, se luz, som, pensamento, alma, tudo tem substância e tem forma – onde estarão a voz, o pensamento, a alma daqueles que fecham os olhos e se entregam às mãos dos outros, e são traiçoeiramente escondidos entre duras camadas duras do chão?”

(100 Crônicas Escolhidas)

 

 

 

“Louvo o Padre, louvo o Filho,

O Espírito Santo louvo.

Louvo Rachel, minha amiga,

Nata e flor do nosso povo.

Ninguém tão Brasil quanto ela,

Pois que, com ser do Ceará,

Tem de todos os Estados,

Do Rio Grande ao Pará.

Tão Brasil:quero dizer

Brasil de toda maneira

-brasílica, brasiliense,

Brasiliana, brasileira.

Louvo o Padre, louvo o Filho,

O Espírito Santo louvo.

Louvo Rachel, e louvada

Uma vez, louvo-a de novo.

Louvo a sua inteligência,

E louvo o seu coração.

Qual maior? Sinceramente,

Meus amigos, não sei não.

Louvo os seus olhos bonitos,

Louvo a sua simpatia,

louvo a sua voz nortista,

louvo o seu amor de tia..

Louvo o Padre , louvo o Filho,

O Espírito Santo louvo.

Louvo Rachel, duas vezes

Louvada, e louvo-a de novo.

Louvo o seu romance: O Quinze

E os outros três: louvo As três

Marias especialmente,

mais minhas do que de vocês.

Louvo a cronista gostosa.

Louvo o seu teatro: Lampião

e a nossa Beata Maria. Mas chega de louvação,

porque, por mais que a louvemos,

nunca a louvaremos bem.

Em nome do Pai, do Filho e

do Espírito Santo, amém”

(Manuel Bandeira)

 

 

“ No entanto, tenho esperança...Pode ser...Há tanto milagre no mundo!”

(O Quinze)

January 16

POESIAS

 

A FLORESTA

Entre nessa floresta sem receio do que poderá encontrar...

Nela pulsa a mais pura e divina energia da vida ,

A mesma que existe bem aí dentro do seu ser!

Mergulhe nessa floresta!

Explore-a por inteiro.

Sinta-a como parte integrante da sua própria existência.

Perceba a vibração de cada partícula junto ao pulsar do aconchego da Terra,

Ao calor dos raios do Sol,

À brisa suave do vento,

Ao frescor da água...

Observe  o entrelaçar das energias que se fundem e revelam aos seus sentidos

Milhares de cores ,

Infinitas formas ,

Múltiplos  aromas,

Variados sons,

Para compor, a um só tempo, uma unidade maior.

Mergulhe nos meandros dessa imensa floresta

e ouça-lhe as vozes com os ouvidos do coração

o que ela tem a ensinar a respeito de si próprio.

Ela é você...Você é ela !

Cecilia Montesanti 

  

Masnavi II: 1552; 1554

(Rumi)

“Deus te joga de um sentimento ao outro
e te ensina por meio dos opostos,
de modo que terás duas asas para voar,
não uma.”

 
 

O CHAMADO DO AMOR

(André Ruschi) 

Dormia...
e fui desperto
por uma voz doce e profunda
envolvendo todo meu coração
chamando-me...
acorde amor...venha...
acordei buscando a fonte deste chamado,
o meu chamado...
e não havia nada
estava tudo escuro
e eu estava só...
como criança, fiquei!
chorei e perguntei,
por que?
ela não está mais aqui,
mas a fonte existe,
pois ela me chamou,
eu ouvi...e me lembro
como uma chave especial,
abriram todas as portas de meu coração
e todos os meus desejos passaram a ser apenas um
você
que não está aqui...
que maior restrição há
do que ter tido o coração arrebatado por ti
e não ter como te tocar...
só posso servir-te e tocar-te em orações
no fundo de meu coração
onde me prosto
em absoluta submissão
e comunhão
com a água divina
veículo da vida
onde se manifesta
o amor
em humildade total
perante meu criador
e senhor aboluto....

 

 

SHAMS É O SOL DE RUMI

(Rumi)

"Estivesse eu no Leste ou no Oeste,
estivesse eu para ascender aos céus,
eu não teria encontrado nenhum traço Teu,
e nenhum traço da vida eterna.

Eu estava entre os ascetas da terra,
senhores do atril;
até que um acidente do coração
trouxe-me até um amor
que nada pode diante de Ti
mas que chega a acariciar Tuas mãos...

 

 

Primeiro eu me apaixonei pelos livros.
E elevei-me acima de outros eruditos
e outros homens letrados.
Mas ao ver que tuas mãos forneciam o vinho
do amor divino,
eu fiquei embriagado
e quebrei minhas penas.

Eu fiz minha ablução
numa chuva de lágrimas.
A qibla* da minha oração
tornou-se a face do amado.
Se houver algum obstáculo
entre tu e eu
que seja ele despedaçado.

Melhor, se eu tiver que viver
privado de ti,
que a minha existência
seja atirada ao fogo.
'És tu o meu amante,
na Kaaba ou na igreja...

As chamas do amor desprendem-se
para além da face da terra
e do trono de Deus.
E nestas chamas eu não posso
ocultar a face de Shamsuddin...

Shams de Tabriz é o Sheikh da religião,
o significado oceânico do senhor dos mundos.
É ele o mar da alma.

Ele é aquele que se precipita,
espumando, fluindo e renovando o mar.

Diante dele, a terra, os céus e
todas as coisas existentes,
são como nada...

Como um astro iluminado,
Mevlana se move na órbita de Shams.
Ele foi atraído para a sua luz,
absorvido na sua radiação.

Quando o sol de Shams nasce,
todas as sombras se esvanessem..."

* Qibla: direção espiritual de Meca, e mais precisamente da Kaaba, a pedra negra.

 

 

ASSIM

(Rumi)

Se alguém lhe perguntar como se desvela
a mais perfeita sensação do gozo,
eleve os olhos e diga 
Assim.
E quando alguém mencionar
a graça do céu noturno,
suba no telhado, dance, e diga
Assim?
Se alguém quiser saber o que é
o espírito, ou a essência de Deus,
incline a fronte em sua direção,
mantenha o rosto colado
assim.
E quando alguém evocar a velha poesia
das nuvens que, aos poucos, encobrem a lua,
afrouxe pouco a pouco os nós da tunica.
Assim?
Se alguém quiser saber como Jesus
levantou os mortos das tumbas,
não tente explicar o milagre.
Beije seus lábios.
Assim. Assim.

 


 

E quando alguém perguntar
o que é morrer por amor,
faça um sinal
aqui.
Se alguém quiser saber quão alto é,
hesite, e meça com seus dedos
os espaços entre as rugas da sua testa.
Deste tamanho.
A alma às vezes larga o corpo,
e então retorna. Se alguém não acreditar,
volte para a minha morada.
Assim.
Quando os amantes sussurram,
estão contando a nossa
história
Assim.
Eu sou um céu onde espíritos vivem.
Mergulhe neste azul profundo
onde a brisa espalha segredos
Assim.
Quando alguém perguntar
o que há-de se fazer,
acenda a vela em suas mãos.
Assim..
Como o perfume de José
chegou a Jacó?
Shhhhhhh!
E como retornou
o suspiro de Jacó?
Shhhhhhh!
A brisa suave limpa os olhos.
Assim.
Quando Shams retornar de Tabriz,
seu rosto há-de mostrar-se atrás da porta,
e nos surpreenderá.
Assim.

 

 

O MAR É UMA COISA

(Rumi)

O mar é uma coisa...

a espuma, outra;

Esquece a espuma e contempla o mar noite e dia,

Tu olhas para a ondulação da espuma e não para o poderoso mar.

Como barcos, somos jogados daqui para ali,

Somos cegos, embora estejamos no brilhante oceano.

Ah! tu que dormes no barco do corpo,

Tu vês a água; contempla a Água das águas!

Sob a água que tu vês há outra água que a move,

Dentro do espírito há um espírito que o chama."

 

January 08

Helena Blavatsky - TEOSOFIA

"A Natureza revela seus mais íntimos segredos e partilha a verdadeira sabedoria somente àquele que busca a verdade por amor à própria verdade, e que aspira ao conhecimento para conferir benefícios aos outros, não à sua insignificante personalidade."

(Helena Petrovna Blavatsky)

 
 

“Aquele que priva da luz qualquer um de seus semelhantes, ou do bem, ou da assistência criteriosa que poderia dar a eles, e vive para a acumulação de bens materiais, para a própria satisfação pessoal, é o verdadeiro ladrão. Aquele que rouba de seus companheiros a preciosa posse do caráter, pela calúnia ou qualquer espécie de desvirtuamento, não é senão um ladrão, e da pior espécie.”

(Helena Petrovna Blavatsky)

  
 
 
  Helena Blavatsky foi um dos principais ícones da ciência e ocultismo do século XIX. Seus Mestres a chamavam de Upasika. Na Rússia era conhecida pelo seu pseudônimo literário, Radha Bai, e considerada a reencarnação de Paracelso.

Nasceu prematuramente à meia-noite de 30 para 31 de julho (12 de agosto pelo calendário russo) de 1831, em Ekaterinoslav, na província do mesmo nome, ao sul da Rússia. Tão estranhos foram os incidentes ocorridos na hora do seu nascimento e por ocasião do seu batismo, que os serviçais da família lhe predisseram uma existência cheia de tribulações.Aos cinco anos era capaz de hipnotizar; e aos quinze utilizava-se da clarividência.

Foi uma das fundadoras da Teosofia é a responsável pela introdução do conhecimento oriental do Ocidente, incluindo os conceitos de Karma e Reencarnação; além de expor ao mundo a idéia de que todas as religiões partem de uma única base primitiva.Teosofia é uma palavra de origem grega que significa Sabedoria Divina ou "a sabedoria dos deuses". O nome tem sido usado desde o terceiro século D.C., mas esta doutrina esotérica  tem existência há tanto tempo quanto atinja a história da humanidade!

Freqüentemente, falamos da Teosofia como não sendo uma religião em si mesma, e sim, a verdade que serve de base igualmente a todas as grandes religiões existentes. Mas encarada de outro ponto de vista, a Teosofia se apresenta, ao mesmo tempo, como uma filosofia, uma religião e uma ciência. É uma filosofia, porque explica claramente o plano da evolução das almas e dos corpos compreendidos em nosso sistema solar. É uma religião porque, tendo demonstrado a marcha da evolução ordinária, indica e oferece um método para apressar essa evolução, de modo a podermos, por um esforço consciente, adiantar-nos mais diretamente para a meta. É uma ciência porque trata essas questões, não como matéria de crença teológica, mas de conhecimentos diretos, que se adquirem pelo estudo e pela investigação pessoal.

 Teosofia fornece preciosos ensinamentos sobre o passado do homem, sobre a maneira pela qual, no decorrer da evolução, ele se tornou o que é. O estudo desse passado é também uma questão de observação, porque existem os indeléveis anais de tudo o que tem ocorrido - uma espécie de memória da natureza. Essa vida, do homem, considerado como uma alma, tem uma duração que nos parece enorme. Ao contrário, aquilo que se tem o costume de considerar como sua vida, é apenas, na realidade, um dia só da sua verdadeira existência. Já vivemos muitos dias semelhantes e muitos outros teremos ainda diante de nós. E se quisermos compreender o fim real da vida, não devemos restringir a esse único dia que começa no berço e se extingue na tumba, e sim considerá-la em relação com os dias que precederam ao atual e dos que lhe hão de suceder.A Teosofia nos ensina que tudo é regido por um conjunto definido de leis inteligentemente dirigidas e imutáveis. O homem ocupa um lugar no sistema e vive sob essas leis. Quando as compreender e com elas cooperar, progredirá rapidamente e será feliz; mas se não lhes reconhecer o valor – se, voluntariamente ou por suas ignorância, as transferir, retarda o seu progresso 'e sofrerá. Não se trata aqui de teorias, porém de fatos provados. Que aquele que duvida leia Teosofia e verá onde está a verdade.

 

As obras de Blavatsky,  A Doutrina Secreta, Isis sem Véu, A Voz do Silêncio e O Simbolismo Arcaico das Religiões, teriam sido inspiradas através da leitura por clarividência de As Estâncias de Dzyan. O crítico inglês William Emmett Coleman, calculou que para escrever Isis sem Véu, Blavatsky precisaria ter estudado 1400 livros por ela desconhecidos. Mas sua grande contribuição é, sem dúvida alguma, à Sociedade Teosófica.  

  

 
"Tudo é vida, cada átomo, mesmo da poeira mineral, é uma VIDA, embora isso esteja além de nossa compreensão e percepção, porque está fora do âmbito das leis conhecidas por aqueles que rejeitam o Ocultismo."

"O autoconhecimento deve ser procurado em virtude de ser conhecimento e não em virtude de pertencer ao eu.O principal requisito para adquirir o autoconhecimento é um amor puro. Buscai o conhecimento por puro amor, e o autoconhecimento finalmente coroará o esforço."

 

"O altruísmo é uma parte integral do auto-aperfeiçoamento. Mas temos de discernir. Ninguém tem o direito de inanir-se até a morte para que outrem possa ter alimento, a não ser que a vida deste último obviamente seja mais útil do que a do primeiro. Mas é seu dever sacrificar o próprio conforto e trabalhar pelos outros se estes estão incapacitados para o trabalho."
(A Chave da Teosofia)

A mente requer purificação toda vez que nos irritamos, que dizemos uma falsidade, ou divulgamos faltas alheias. Devemos purificá-la, toda vez que falamos ou fazemos qualquer coisa, com a finalidade de bajular, ou quando alguém é enganado pela insinceridade de nossas palavras ou de nossos atos."
(Ocultismo Prático)
 

 
 

"Os maus pensamentos são menos prejudiciais do que os pensamentos utópicos e medíocres. Porque contra os maus pensamentos estais sempre alerta, e estando determinados a combatê-los e vencê-los, essa determinação vos auxilia a desenvolver a força de vontade. Os pensamentos medíocres, ao contrário, servem simplesmente para distrair a atenção e desperdiçar energias."
(Ocultismo Prático)

"Meditação, abstinência em tudo, observação dos deveres morais, pensamentos agradáveis, boas ações e palavras amáveis, como também a boa vontade com todos e o total esquecimento do Eu, são os meios mais eficazes de obter conhecimento e preparar-se para a recepção da sabedoria superior."
(Ocultismo Prático)

 

 

"Agir e agir sabiamente no momento oportuno, esperar e esperar pacientemente quando é hora de repouso, põem o homem em sintonia com as marés cheias e baixas, de sorte que, com a natureza e a lei como apoio, e a verdade e a beneficência como farol, ele pode realizar maravilhas."
(Ocultismo Prático)
 

"A idéia teosófica da caridade significa esforço pessoal pelos outros; compaixão e bondade pessoais, interesse pessoal pelo bem estar dos que sofrem; simpatia pessoal, providência e assistência em seus sofrimentos e necessidades."
(A Chave da Teosofia)
 

 

 

"O reto pensamento é uma boa coisa, mas o pensamento solitário pouco vale; precisará ser traduzido em ação."
(Theosophist)

"Não pode haver nenhuma real libertação do pensamento humano nem expansão dos descobrimentos científicos, enquanto não for reconhecida a existência do espírito, e aceita como um fato a dupla revolução".
(A Modern Panarion)
 

 

 
 

"Está bem, Ouvinte. Prepara-te, pois terás que viajar sozinho. O Instrutor pode apenas indicar o caminho. A Senda é uma para todos; os meios para chegar à meta variam com os peregrinos."
(A Voz do Silêncio)  

 
 
  

"Vivemos numa atmosfera de escuridão e desespero... porque nossos olhos estão voltados e fitos na terra, repleta de manifestações físicas e grosseiramente materiais. Se, ao invés disso, o homem, prosseguindo na jornada de sua vida, olhasse não para o céu - o que é apenas uma figura de retórica - mas para dentro de si mesmo, e centralizasse seu ponto de observação no homem interior, muito logo escaparia dos rolos compressores da grande serpente da ilusão."

  
 

"Se queres colher doce paz e descanso discípulo, semeie com sementes do mérito os campos de futuras colheitas."

 
  

"A pessoa dotada da faculdade de pensar nas coisas mais insignificantes do plano superior do pensamento, em virtude de tal dom tem, por assim dizer, um poder plástico de formação em sua imaginação real. Sobre o que quer que essa pessoa pense, seu pensamento será tão ou mais intenso que o pensamento de uma pessoa comum, que por esta mesma força obtém o poder de criação." 

 

 

"A humanidade - pelo menos em sua maioria - detesta refletir, mesmo em benefício próprio. Magoa-se, como se fora um insulto, ao mais humilde convite para sair por um momento das velhas e batidas veredas e, a seu critério, ingressar num novo caminho para seguir em alguma outra direção."

 
 
 
"O egoísmo pessoal é que excita e estimula o homem a abusar de seus conhecimentos e poderes. O egoísmo é um edifício humano, cujas janelas e portas estão sempre escancaradas para que toda espécie de iniqüidades entre na alma humana."
(A Doutrina Secreta)
 
 
 
 
 
"A oração é uma ação enobrecedora quando é um intenso sentimento, um ardente desejo emitido de nosso próprio coração para o bem de outros, e quando inteiramente isento de qualquer objetivo egoísta, pessoal."
(A Doutrina Secreta)
 
 
 

"O homem faz de si a imagem de seus sonhos".

January 05

Gandhi

   

  "Eu não tenho mensagem. Minha mensagem é minha vida."

(Gandhi)

 

 

“Futuras gerações dificilmente acreditarão que tenha passado sobre a face da Terra, em carne e osso, um homem como Gandhi”.

(Albert Einstein)

 

“O desejo sincero e puro do coração é sempre realizado; em minha própria vida, tenho sempre verificado a certeza disto.”

                                                                                          (Gandhi)

 

Gandhi libertou a Índia da tirania dos ingleses sem o poder das armas, inspirado no poder da verdade, da não-violência e da mansidão. Foi por isso chamado de Mahatma , “Grande Alma”. A verdade -  escreve Gandhi -  é dura como diamante, mas é também delicada como a flor de pessegueiro. Quem não aceita a dureza diamantina da verdade, não chegará a fruir a sua delicadeza de flor de pessegueiro. Plenamente livre é somente aquele que voluntariamente se escraviza.E essa escravidão espontânea se refere não somente a Deus, refere-se também aos homens, nossos semelhantes; servir  voluntariamente é libertar-se totalmente. Nada mais escravizante do que o desejo de querer ser servido – nada mais libertador do que o desejo de querer servir!Um homem que gozava de imenso prestígio, em cujas mãos passavam, anualmente, milhões, que podia possuir imensa riqueza.

 

 

 

 

 

 Viveu quase oitenta anos sem deixar um palmo de terra, nem uma casa, nem dinheiro em banco algum; a própria cabra de cujo leite se alimentava por ordem médica, não era dele e foi retirada pelo dono logo após a sua morte.

“Minha vida não pode ser mais a mesma! Embora seja advogado, tenha estudado em Londres, e agora, que vejo a dor dos meus irmãos, não posso mais ser o mesmo!”

Gandhi vivia de acordo com a Verdade e o Amor, Satyagraha e Ahimsa, em sânscrito.

Desenvolvo toda minha política a partir da minha postura de compromisso com a verdade!  

 

 

 

 

 Amor e Verdade são duas faces da mesma medalha, dizia .Segundo ele, não devemos praticar a violência material, nem a violência verbal, não falando mal de ninguém e nem mesmo a violência mental, não pensando mal de ninguém.

 

Dizia, ainda, para não cultivarmos a violência emocional, não guardando ressentimento contra o próximo.

 

Se um homem conseguisse chegar a essa plenitude de amor, neutralizaria o ódio de milhões.

 

Ensina que a oração é a respiração da alma, o centro da vida humana, a parte mais vital da profissão de fé.  É melhor que haja um coração sem palavras que palavras sem coração.Pacifista, Gandhi foi assassinado em 1948 na Índia por um fanático.

 

                   

**********************

Palavras de Gandhi  

 
 
"O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não."

     "Não é preciso entrar para a história para fazer um mundo melhor."

          "A partir do momento que me outorgo o direito exclusivo de ter razão, usurpo uma função que pertence à Divindade."

 

 

 

     "É o sofrimento, e só o sofrimento , que abre no homem a compreensão interior."

“Conheço o meu caminho; ele é reto e estreito; é como o gume duma espada. Tenho prazer em andar esse caminho. Choro quando tropeço. Deus diz: “Quem trabalha com esforço não perecerá” – e eu tenho uma fé implícita nessa promessa.”

“Embora minha fraqueza me faça cair mil vezes, não perderei a fé, e espero ver a luz, quando a minha carne estiver perfeitamente dominada, como um dia acontecerá.”

 

 

“Nunca nenhum homem finito conhecerá plenamente a Verdade e o Amor, que em si mesmos são infinitos.”

“Não é dado ao homem conhecer a verdade total; o seu dever está em viver de acordo com a Verdade, na medida que ele a percebeu; e, em procedendo assim, deve recorrer aos meios mais puros, isto é,  à não-violência.” 

“Eu sou um simples aprendiz: não tenho erudição profunda; aceito a verdade, onde quer que a encontre, e procuro viver de acordo com ela.”

 
 

"O Amor e a verdade estão tão unidos entre si que é praticamente impossível separá-los. São como duas faces da mesma medalha.”

"O amor é a força mais abstrata, e também a mais potente, que há no mundo.”

"Creio poder afirmar, sem arrogância e com a devida humildade, que a minha mensagem e os meus métodos são válidos, em sua essência, para todo o mundo.”

"A minha vida é um Todo indivisível, e todos os meus atos convergem uns nos outros; e todos eles nascem do insaciável amor que tenho para com toda a humanidade.”

 
 

"A regra de ouro consiste em sermos amigos do mundo e em considerarmos como uma toda a família humana. Quem faz distinção entre os fiéis da própria religião e os de outra, deseduca os membros da sua religião e abre caminho para o abandono, a irreligião.”

"Acredito na essencial unidade do homem, e portanto na unidade de todo o que vive. Desse modo, se um homem progredir espiritualmente, o mundo inteiro progride com ele, e se um homem cai, o mundo inteiro cai em igual medida.”

 
 

"A não-violência não existe se apenas amamos aqueles que nos amam. Só há não-violência quando amamos aqueles que nos odeiam. Sei como é difícil assumir essa grande lei do amor. Mas todas as coisas grandes e boas não são difíceis de realizar? O amor a quem nos odeia é o mais difícil de tudo. Mas, com a graça de Deus, até mesmo essa coisa tão difícil se torna fácil de realizar, se assim queremos.” 

"Só podemos vencer o adversário com o amor, nunca com o ódio.”

"A Natureza é inexorável, e vingar-se-á completamente de uma tal violação de suas leis.”

 
 

“A fé transcende a razão; o único conselho que posso dar é o de não tentar o impossível. Não posso explicar a existência do mal com nenhum argumento racional. Tentar isto seria igualar-se a Deus.”

“O homem comum, geralmente, não vê Beleza na Verdade; passa de largo, cego para a Beleza. Toda vez que o homem começa a ver Beleza na Verdade, nasce a Arte verdadeira.”

"A única revolução possível é dentro de nós.” 

 

 
"Aprendi, graças a uma amarga experiência, a única suprema lição: controlar a ira. E do mesmo modo que o calor conservado se transforma em energia, assim a nossa ira controlada pode transformar-se em uma função capaz de mover o mundo. Não é que eu não me ire ou perca o controle. O que eu não dou é campo à ira. Cultivo a paciência e a mansidão e, de uma maneira geral, consigo. Mas quando a ira me assalta, limito-me a controlá-la. Como consigo? É um hábito que cada um deve adquirir e cultivar com uma prática assídua.”
 
 
"O silêncio já se tornou para mim uma necessidade física espiritual. Inicialmente escolhi-o para aliviar-me da depressão. A seguir precisei de tempo para escrever. Após havê-lo praticado por certo tempo descobri, todavia, seu valor espiritual. E de repente dei conta de que eram esses momentos em que melhor podia comunicar-me com Deus. Agora sinto-me como se tivesse sido feito para o silêncio.”  

 

"Aqueles que têm um grande autocontrole, ou que estão totalmente absortos no trabalho, falam pouco. Palavra e ação juntas não andam bem. Repare na natureza: trabalha continuamente, mas em silêncio.”

"Aquele que não é capaz de governar a si mesmo, não será capaz de governar os outros.”

"Quem sabe concentrar-se numa coisa e insistir nela como único objetivo, obtém, ao cabo, a capacidade de fazer qualquer coisa.”

 
 
"Mas creio que a não-violência é infinitamente superior à violência, o perdão é mais nobre que a punição. O perdão enobrece um soldado. Mas a abstenção só é perdão quando há o poder para punir; não tem sentido quando pretende proceder de uma criatura desamparada. Um camundongo dificilmente perdoa um gato que o dilacera. Compreendo os sentimentos daqueles que clamam pela punição condigna do General Dyer e outros iguais. Haveriam de esquartejá-lo, se pudessem. Mas não creio que a Índia seja desamparada. Não me considero uma criatura desamparada. Apenas quero usar a força da Índia e a minha própria para um propósito melhor.”  

 

"É injusto e imoral tentar fugir às conseqüências dos próprios atos. É justo que a pessoa que come em demasia se sinta mal ou jejue. É injusto que quem cede aos próprios apetites fuja às conseqüências tomando tônicos ou outros remédios. É ainda mais injusto que uma pessoa ceda às próprias paixões animalescas e fuja às conseqüências dos próprios atos.”

"Os olhos, os ouvidos e a língua vêm antes da mão. Ler vem antes de escrever e desenhar antes de traçar as letras do alfabeto”. 

 
 

"Quem busca a verdade, quem obedece a lei do amor, não pode estar preocupado com o amanhã."

"Minha missão não se esgota na fraternidade entre os indianos. A minha missão não está simplesmente na libertação da Índia, embora ela absorva, em prática, toda a minha vida e todo o meu tempo. Por meio da libertação da Índia espero atuar e desenvolver a missão da fraternidade dos homens".

 
 
 "Quem venceu o medo da morte venceu todos os outros medos." 
"Só quando se vêem os próprios erros através de uma lente de aumento, e se faz exatamente o contrário com os erros dos outros, é que se pode chegar à justa avaliação de uns e de outros.”
 
 

"Orar não é pedir. Orar é a respiração da alma."

"A oração salvou-me a vida. Sem a oração teria ficado muito tempo sem fé. Ela salvou-me do desespero. Com o tempo a minha fé aumentou e a necessidade de orar tornou-se mais irresistível... A minha paz muitas vezes causa inveja. Ela vem-me da oração. Eu sou um homem de oração. Como o corpo se não for lavado fica sujo, assim a alma sem oração se torna impura."

 
 
 
"A regra de ouro consiste em sermos amigos do mundo e em considerarmos como uma toda a família humana. Quem faz distinção entre os fiéis da própria religião e os de outra, deseduca os membros da sua religião e abre caminho para o abandono, a irreligião."
 
********
 
Obrigada, Querida Amiga Andréa,
pela atenção e carinho da sua amizade!
Fico sem palavras...
Também te adoro! Você é que é especial!
 
********
 
Obrigada, Gy, por esta surpresa tão especial!
Estes gestos de carinho tornam a nossa vida mais feliz!
Beijo grande no seu coração!
 
 ********
January 01

Poesias Místicas

"Em cada coração há uma
janela para outros corações.
Eles não estão separados,
como dois corpos.
Mas, assim como duas lâmpadas
que não estão juntas,
Sua luz se une num só feixe."

(Jalal ud-Din Rumi) 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Toda árvore ganha beleza

quando tocada pelo sol”

(Jalal ud-Din Rumi)

 

 

 

Ser do seu ser

(Rudolf Steiner)

Eu quero inflamar todo ser humano
A partir do espírito do Universo,
Para que se torne chama
E desabroche fogoso
O ser do seu ser.
Os outros, eles querem
Tomar da água do Universo,
Que apaga as chamas
E paralisa aguado,
Todo ser no seu interior.
Oh alegria, quando o fogo humano
Também lá crepita, onde repousa! 
Oh amargura, se a força humana
É acorrentada lá, onde quer ser dinâmica!
 

 

 

"Na floresta, não existe fortaleza ou fragilidade.

Quando o leão ruge, não dizem:

"Ele é temível".

A vontade humana é apenas uma sombra que vagueia

no espaço do pensamento,

e o direito dos homens fenece como folhas de outono".

(Gibran Khalil Gibran)

 

 

Despertar Espiritual

(Rudolf Steiner)

Brotam na luz do sol da minha alma
Os frutos maduros do pensar,
Em segurança autoconsciente
Se transforma todo o sentir.
Posso perceber com alegria primaveril
O acordar espiritual do outono:
O inverno irá
em mim
Despertar o verão da alma.

 

Autoconhecimento

(Rudolf Steiner)

Autoconhecimento verdadeiro só é dado ao homem
Quando ele desenvolve interesse afetuoso por outros;
Conhecimento verdadeiro do mundo o homem só alcança
Quando procura conhecer seu próprio ser.

 
 

Na Busca

(Nelson Jonas)

Pensamos;
Procuramos;
Rodamos por tantos cantos
À procura de algum encanto
Um momento santo
Capaz de fazer frente
Ao interno e silencioso pranto...
Desencanto.
No entanto,
Num súbito espanto,
O encontramos
Num interno e silencioso canto...

Não mais pensamos;
Não mais procuramos;
Não mais rodamos, apenas,
Sentamos e aquietamos...
Sabemos!

 
 

A Arte de Desaprender

(Humberto Rodhen)

Muita coisa aprendi,
No decurso da minha vida
Mas só no fim da vida
Aprendi a arte dificílima
De desaprender...
Desaprender os erros sem conta
Que os sentidos percebem
Na sua erudita ignorância...
Aprendera ele que os fatos externos
São a própria Realidade.
Aprendera que este mundo
Que os sentidos percebem
E o intelecto concebe,
São a realíssima
E única Realidade...
 

 

 
E por largos anos
Andei escravizado por essa ilusão.
Pois, que admira?
Se, por tantos séculos e milênios,
Dormira a humanidade nas trevas,
Como poderia eu, em poucos decênios,
Despertar para a luz?
Até que, finalmente, descobri
A Realidade para além das facticidades,
A alma do eterno
Ser
No corpo desse efêmero parecer.
Hoje sei que os fatos são meros reflexos
No espelho bidimensional de tempo e espaço,
Reflexos da Realidade,
Que está em sentido oposto
A esses fatos refletidos
No espelho de tempo e espaço...

 
 

Mas só Deus sabe quanto esforço,
Quantos sofrimentos,
E quanta agonia me custou
Essa nova atitude,
Essa meia-volta que tive de dar
Ante o espelho do mundo das velhas ilusões,
Para enxergar o novo mundo da verdade!
Esse movimento de 180 graus,
Que dei em face do refletor,
Essa conversão dos conhecidos finitos
Para o desconhecido Infinito
Me custou o holocausto do meu ego,
Esse sangrento egocídio,
Que a verdade me exigiu.

Mas agora, de costas para os fatos
E de rosto para a Realidade,
Me sinto grandemente liberto
E jubilosamente feliz
E, em vez de amar o mundo sem Deus,
Amo o mundo em Deus
Porque vejo em cada fato efêmero
O reflexo da Realidade eterna.

 
 
 

Acorda!

(Nelson Jonas)

O que você vai fazer
Quando toda leitura
Não mais te entreter?
O que você vai fazer
Quando toda religião
Não mais te entorpecer?
O que você vai fazer
Quando toda forma de busca
Não te satisfazer?...
 

 
O que você vai fazer
Quando a mediocridade
Das conversas te aborrecer?
O que você vai fazer
Quando o “script” social
Não mais te corresponder?
O que você vai fazer
Quando toda novidade
Não te der prazer?
O que você vai fazer?
Quando os teus mais queridos
Não te compreenderem?...
 

                                               
O que você vai fazer
Quando a segurança do velho
Não te rejuvenescer?
O que você vai fazer?
Quando a filiação em um grupo
Não te proteger?
E o que você vai fazer
Quando bater na porta
e ninguém te responder?...

 

O que você vai fazer
Quando perceber ser falsa
A segurança que você pensava ter?
O que você vai fazer
Quando conquistar tudo
Que pensava necessário ter?
E o que vai fazer
Quando o desfrutar do seu tudo
Não te der prazer?
O que você vai fazer?
 

 
Esperar pela Graça
Capaz de trazer graça

Para tudo que estiver sem graça?
 
 

"Apenas somos

quando em nada nos tornamos.

É quando perdemos nossas pernas

que nos tornamos corredores".

(Jalal ud-Din Rumi)

 

"Debaixo de um arbusto, um pão e uma garrafa

De vinho e meus poemas: tudo o que preciso

E tu, que do meu lado cantas no deserto,

E o deserto se torna, então, no paraíso".

(Omar Khayyam)

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December 24

Tarsila do Amaral

 

À memória de Tarsila do Amaral 

 

Ela pintava flores simplesmente
copiando pelo espelho o lindo rosto.
Era uma flor humana que, ao sol-posto
ou de manhã, se retratava ardente!...
Assim, com seu semblante róseo em frente
ao espelho – modelo pulcro exposto!...
ela, beleza rosicler, com gosto
pintava flores em tela albescente!...
Olhando a rósea cor de sua face
em mescla com um brancor leve e fugace
flores róseas e brancas pintalgava!...
E ao pintá-las, em meio às variegadas
flores – níveas e rosas e encarnadas –
ela, flor, com as flores se igualava!...

Homero Dantas

 

 

Uma das principais pintoras da arte brasileira moderna. Nasceu em 1ºde setembro de 1886, na Fazenda São Bernardo, município de Capivari,interior do Estado de São Paulo. Seu pai herdou apreciável fortuna dos pais e diversas fazendas nas quais Tarsila passou a infância e adolescência.Estudou nos melhores colégios, foi educar-se na Europa e freqüentou, com toda elegância, a sociedade abonada de sua época, tanto no Brasil como na Europa Aos 16 anos, já estudando em Barcelona, pintou o seu primeiro quadro, "Sagrado Coração de Jesus".

 

 

  

Casa-se muito jovem, tem sua única filha e depois se separa do marido.

Volta a Europa para continuar estudando e retorna ao Brasil para conhecer os modernistas, na época da semana de 22, da qual não fez parte, mas ligou-se ao grupo imediatamente, formando com Anita Malfatti, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia, o "grupo dos cinco", dentro do movimento dos modernistas.Nesse mesmo ano teve um quadro admitido no Salão Oficial de Artistas Franceses, uma conquista raríssima para estrangeiros. Mas parece que nada disso fazia tranqüilizar o espírito irrequieto de Tarsila.

 

 

 

 

 

 

 

 

 Nessa época começou a namorar Oswald de Andrade, escritor também importante no mundo artístico brasileiro, com o qual casou e viveu alguns anos. De um quadro, pintado para dar de presente a Oswaldo, nasceu uma das obras mais marcantes já produzidas no Brasil em todos os tempos, "Abaporu". Ao concluir o trabalho, Tarsila ficou olhando aquela imagem e foi buscar no seu dicionário de Tupi-Guarani, o título para o quadro. Abaporu significa "o homem que come". 

Oswald ficou tão impressionado quanto Tarsila e escreveu o Manifesto Antropófago que seria o início do movimento antropofágico brasileiro, com a intenção de deglutir e abrasileirar toda a cultura européia.

     

 

 

 

 

O Abaporu 

  

   O movimento foi importante na época, como síntese do movimento modernista brasileiro e ficou na história. O quadro Abaporu também. É hoje um símbolo da arte moderna no Brasil e foi vendido por um dos mais altos preços já atingidos por obras brasileiras, cerca de US$ 1.300.000,00.

 

 

  

 Oswald de Andrade foi um impulsionador do talento de Tarsila, escrevendo e interpretando, multiplicando a força das pinturas da artista com as suas palavras.

O manifesto de Oswald foi o agente impulsionador do movimento antropofágico.

Com Oswald, Tarsila viveu anos revolucionários, participou de exposições no Brasil e na Europa e criou fases importantes em sua pintura, como os quadros pintados com o tema "pau Brasil". No poema "Atelier", do livro Pau-Brasil (1925),Oswald de Andrade pinta um retrato de Tarsila...

 

 

 

 Atelier

Caipirinha vestida por Poiret
A preguiça paulista reside nos teus olhos
Que não viram Paris nem Piccadilly
Nem as exclamações dos homens,em Sevilha
Àtua passagem entre brincos
Locomotivas e bichos nacionais
Geometrizam as atmosferas nítidas

Congonhas descora sob o pálio
Das procissões de Minas
A verdura no azul klaxon, Cortada
Sobre a poeira vermelha
Arranha-céus,Fordes,Viadutos
Um cheiro de café
No silêncio emoldurado.

 

 

 

 

 

Tarsila separou-se de Oswald e passou 20 anos com um outro escritor, Luiz Martins, de quem acabou se separando também. Casou ainda mais duas vezes. Tantos casamentos e separações demonstram um espírito irrequieto e uma mente distante do conformismo e estagnação. Participou da Primeira Bienal de São Paulo, em 1951 e na sétima Bienal já tinha sala especial para as suas telas.

 

  

 

Casada com Luiz Martins, ele a influenciou para entrar no movimento comunista e conhecer a Rússia. Seus quadros passaram a ter uma conotação social e de protesto e embora, artisticamente falando, essa tenha sido uma fase de menor importância em relação a outras, mudou a sua vida também. Tarsila chegou a ser presa durante um mês, na sua volta da Rússia. Para a filha e neta de um barão do café, era uma coisa surpreendente. Mas ser surpreendente, em Tarsila, não surpreendia.

 

 

Operários

 

 

A Lua 

 

 

Os trabalhos de Tarsila nos mostram uma grande preocupação com temas brasileiros. Influenciada pelo cubismo na Europa, traz essa corrente para paisagens brasileiras. Inovou ao tratar de temas sociais retratando figuras de operários. Isso aconteceu depois da viagem à Rússia, mas as imagens são sempre abrasileiradas. Na série pau-brasil, essa brasilidade fica evidenciada até nas cores.

 

 

 

 

 

 

 

  

 

Tarsila inovou, mesmo dentro do grupo de inovadores e revolucionou, mesmo freqüentando a estabelecida sociedade. Em Paris, Tarsila participou de um jantar oferecido em homenagem a Santos Dumont. Vestiu um elegante casaco vermelho. Tarsila era uma mulher muito bonita e vestia-se elegantemente e com certo exotismo. Na saída desse jantar, ao voltar para casa, pintou um auto-retrato que intitulou de Manteau Rouge .Faleceu em Janeiro de 1976.

  

 

 

 

Floresta

 

 

 

 

 

Vendedor

 

  Morro da Favela

 

  Maternidade

 

 

 

 

 

 

    A Negra     

  

    Segunda Classe

 

     

     Urutu

 

 A Família

 

 

     

                                   Boi na Floresta                                           O Sono

 

 

 

  Antropofagia 

 

    

                                                       Rio de Janeiro

 

                                               

 São Paulo

 

  

                                                               O Lago

 

 

Anjos 

 

"Eu não tenho medo da morte e sei que ela virá na hora certa, como tudo o que me aconteceu na vida. Sempre procurei estar preparada para receber o pior, embora morrer seja uma contingência natural. O importante é que se tenha vivido com dignidade e se haja, em todos os instantes, escolhido a melhor maneira de ser útil. Existir por existir nada significa, se a gente não empresta sentido ao fato puro e simples da existência".

Tarsila  do Amaral

 

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DESEJO 

QUE

2006

SEJA UM ANO
MAIS HUMANO,
MAIS DIGNO,
MAIS PACÍFICO,
MAIS JUSTO,
MAIS SOLIDÁRIO,
MAIS FRATERNO,
MAIS FELIZ
PARA TODOS NÓS!!!
 
 
 
****************** 
 
 Presentinho da amiga
Ceci de Campinas
 
Obrigada Ceci, pelo carinho! 
 
****************** 
 
Mais presentinhos!!! 
 
Obrigada Andreia, pelo carinho!
 
****************** 
 
 
Obrigada Cavalheira, pelo carinho!
 
****************** 
 
Obrigada Gy, pelo carinho! 
 
****************** 
 
 
Obrigada Gy, pelo carinho! 
 
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December 17

Clarice Lispector

"Mas há a vida 
que é para ser 
intensamente vivida, 
há o amor. 
Que tem que ser vivido 
até a última gota. 
Sem nenhum medo. 
Não mata."

Clarice Lispector 

 

 

Uma das mais cultuadas escritoras brasileiras e das mais importantes do século 20, no mundo.

Nasceu na Ucrânia, numa pequena aldeia chamada Tchetchelnik, em 10 de dezembro de 1920, época em que os pais estavam emigrando para o Brasil. Pararam naquele lugar apenas para Clarice nascer. Aos dois meses de vida chegaram em Maceió, onde viveram por volta de três anos. Mudam depois para o Recife. Em 1929, aos nove  anos, perdeu a mãe.Adolescente, segue com o pai e as irmãs para o Rio de Janeiro. Entra na Faculdade Nacional de Direito em 1939. No ano seguinte perde o pai. Trabalha como redatora no jornal A noite, onde publica contos.Em 1943, casa com o diplomata Maury Gurgel Valente.  Entre muitas leituras, lia Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Machado de Assis, Dostoievski "embora não o aprendesse em toda a sua grandeza" e descobriu por acaso Katherine Mansfield à qual foi equiparada posteriormente.

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 Perto do coração selvagem, o primeiro romance, escrito aos 19 anos é publicado apenas em 1944. A jovem revelação desnorteia a crítica.Viveu em vários países, acompanhando o marido. Nápoles, Berna, Washington se revezam com passagens pelo Brasil. No exterior, nascem os dois filhos, Pedro e Paulo. Mãe, Clarice divide-se entre as crianças e a literatura, escrevendo com a máquina apoiada nas pernas enquanto cuida de seus pequenos.Separada do marido em 1959, volta ao Rio de Janeiro com os filhos. Mais um período de dificuldades afetivas e financeiras apesar de já ser escritora famosa com obras publicadas no exterior. Nesta época publica contos encomendados por Simeão Leal na revista Senhor. Em toda a década de 1960, colabora em vários jornais e revistas para sobreviver, faz traduções.

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 Em 1969, já era autora de obras importantes como O lustre (romance, 1946); Laços de família (contos, 1960); A maçã no escuro (romance, 1961); A paixão segundo G.H. (romance, 1964); Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres (romance, 1969). Incomodava-se com sua mitificação: "Muito elogio é como botar água demais na flor. Ela apodrece."

Em novembro de 1977 soube que sofria de câncer generalizado. No mês seguinte, na véspera de seu aniversário, morria em plena atividade literária e gozando do prestígio de ser uma das mais importantes vozes da literatura brasileira. Acabava de terminar A hora da estrela. Escrever era vital para a misteriosa Clarice. Na última entrevista confessava: "Quando não escrevo, estou morta".

 

 

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“Clarice veio de um mistério, partiu para outro.
Ficamos sem saber a essência do mistério.
Ou o mistério não era essencial,
era Clarice viajando nele.

Era Clarice bulindo no fundo mais fundo,
onde a palavra parece encontrar
sua razão de ser, e retratar o homem...”
   

Carlos Drummond de Andrade

 

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 “Tente entender o que pinto e o que escrevo agora. Vou explicar: na pintura como na escritura procuro ver estritamente no momento em que vejo – e não ver através da memória de  ter visto num instante passado. O instante é este. O instante é de uma iminência que me tira o fôlego. O instante é em si mesmo iminente. Ao mesmo tempo que eu o vivo, lanço-me na sua passagem para outro instante.” (Clarice Lispector)

 

 

"Tentativa de Ser Alegre"

 

"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo."

Clarice Lispector

  

"Explosão" Clarice Lispector

  

"Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever."

Clarice Lispector

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"O que me tranquiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição."

    Clarice Lispector

 

 

“Não sei o que quero e, quando descobrir, não preciso mais. Acho que quero entender. Quando escrevo, vou descobrindo,aprendendo. É um exercício de aprendizagem da vida.”

Clarice Lispector

 

"Luta Sangrenta Pela Paz" Clarice Lispector

  

“A densa selva das palavras envolve espessamente o que sinto e vivo, e transforma tudo o que sou em alguma coisa minha que fica fora de mim.”

Clarice Lispector

  

  

“Às vezes eletrizo-me ao ver bicho. Agora estou ouvindo o grito ancestral dentro de mim: parece que não sei quem é mais a criatura, se eu ou o bicho.”

Clarice Lispector

  

  

“Não humanizo bicho porque é ofensa – há de respeitar-lhe a natureza – eu  é que me animalizo. Não é difícil e vem simplesmente. É só não lutar contra e é só entregar-se.”

Clarice Lispector

  

  

“Segurar passarinho na concha meio fechada da mão é terrível, é como se tivesse os instantes trêmulos na mão.”

Clarice Lispector

  

  

“Já tive relações perfeitas com eles. Lembro-me de mim de pé com a mesma altivez do cavalo e a passar a mão pelo seu pêlo nu. Pela sua crina agreste. Eu me sentia assim: a mulher e o cavalo.”

Clarice Lispector

  

 

“À duração da minha existência dou uma significação oculta que me ultrapassa. Sou um ser concomitante: reúno em mim o tempo passado, o presente e o futuro, o tempo que lateja no tique-taque dos relógios."

Clarice Lispector

 

"Medo" Clarice Lispector

 

“Mas a palavra mais importante da língua tem uma única letra: é. É.”

Clarice Lispector

.•**•.***.•**•.

 

"A eternidade é o estado das coisas neste momento."

Clarice Lispector

 

 

“Não é perigoso  aproximar-se do que existe. A prece profunda é uma meditação sobre o nada. É o contacto seco e elétrico consigo, um consigo impessoal.”

Clarice Lispector  

 

 

"Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.

Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço.
Além do que:que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.

Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.

Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém."

Clarice Lispector

 

"Sem Sentido" Clarice Lispector

 

"Perder-se significa ir achando e nem saber o que fazer do que se for achando."

Clarice Lispector

 

.•**•.***.•**•.

 

"Abandone-se, tente tudo suavemente, não se esforce por conseguir - esqueça completamente o que aconteceu e tudo voltará com naturalidade."

Clarice Lispector

 

 

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

Clarice Lispector

  

 

“Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.”

Clarice Lispector

 

                             

" Sonhe com aquilo que você quiser.
Vá para onde quiera ir.
Seja o que você quer ser,
poque você possui apenas uma vida
e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce,
Dificuldades, para fezê-la forte,
tristeza, para fazê-la humana
e esperança suficiente para fazê-la feliz.
Aspessoas mais felizes não têm as m,elhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidade que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram,
para aqueles que se machucam,
para aqueles que buscam e tentam sempre
e para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas.
O futuro mais brilhante é baseado num passado intensam,ente vivido.
Você só terá sucesso na vida qundo perdoar os erros e as decepções do passado.
A vida é curta, mas as emoções que podem deixar, duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar, porque em pleno dia se morre."                             

December 12

Gibran Khalil Gibran, O Poeta do Amor

 
Entre as Colinas
 

Entre as colinas,
quando vos sentardes à sombra fresca
dos álamos brancos,
partilhando da paz e da serenidade dos campos
e dos prados distantes,
então que vosso coração diga em silêncio:
"Deus repousa na Razão".

E quando bramir a tempestade,
e o vento poderoso sacudir a floresta,
e o trovão e o relâmpago proclamarem
a majestade do céu,
então que vosso coração diga
com temor e respeito:
"Deus age na Paixão".

E já que sois um sopro na esfera de Deus
e uma folha na floresta de Deus,
também devereis
descansar na razão e agir na paixão.

(K Gibran)

 

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 “O que digo hoje com apenas meu coração

será dito amanhã por milhares de corações.” 

(K Gibran)

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 Nasceu em 6 de dezembro de 1883, em Bsharri, nas montanhas do Líbano. Emigra para os Estados Unidos em  1894 com a mãe e os irmãos. O pai permanece em Bsharri.Em 1898 retorna ao Líbano para completar seus estudos árabes e em 1902  volta para Boston. Sua mãe e seu irmão morrem em 1903. Gibran escreve poemas e meditações para Al-Muhajer (O Emigrante), jornal árabe publicado em Boston. Seu estilo novo, cheio de música, imagens e símbolos, atrai-lhe a atenção do Mundo Árabe. Desenha e pinta numa arte mística que lhe é própria. Uma exposição de seus primeiros quadros desperta o interesse de uma diretora de escola americana, Mary Haskell, que lhe oferece custear seus estudos artísticos em Paris. Estuda na Académie Julien. Trabalha freneticamente. Freqüenta museus, exposições, bibliotecas. Conhece Auguste Rodin. Uma de suas telas é escolhida para a Exposição das Belas-Artes de 1910. 

 

  

 Nesse ínterim, morrem seu pai e sua irmã Sultane. 1910 - Volta a Boston e, no mesmo ano, muda-se para Nova York, onde permanecerá até o fim da vida.

Reúne em volta de si uma plêiade de escritores libaneses e sírios. O grupo forma uma academia literária que se intitula Ar-Rabita Al-Kalamia (A Liga Literária), e que muito contribuiu para o renascimento das letras árabes.

Ao mesmo tempo em que escreve, Gibran se dedica a desenhar e pintar. Sua arte, inspirada pelo mesmo idealismo que lhe inspirou os livros, distingue-se pela beleza e a pureza das formas. Todos os seus livros em inglês foram por ele ilustrados com desenhos evocativos e místicos, de interpretação às vezes difícil, mas de profunda inspiração.

 

 

 

 

Publica vários livros em árabe , entre eles, A Música, As Ninfas do Vale, Espíritos Rebeldes, Asas Partidas, Uma Lágrima e um Sorriso, A Procissão, Temporais e , após a sua morte, Curiosidades e Belezas

Deixa, pouco a pouco, de escrever em árabe e dedica-se ao inglês, no qual produz  oito livros: O Louco, O Precursor, O Profeta, Areia e Espuma, Jesus, o Filho do Homem e Os Deuses da Terra.

E mais dois após a sua morte: O Errante e  O Jardim do Profeta.

Morre em 10 de abril de 1931em Nova York, em virtude de uma crise pulmonar que o deixara inconsciente. 

                                             

                    

 

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AMAI-VOS

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Amai-vos um ao outro,

mas não façais do amor um grilhão.
Que haja, antes, um mar ondulante

entre as praias de vossa alma.

Enchei a taça um do outro,

mas não bebais da mesma taça.
Dai do vosso pão um ao outro,

mas não comais do mesmo pedaço.

Cantai e dançai juntos,

e sede alegres,
mas deixai

cada um de vós estar sozinho. 

Assim como as cordas da lira

são separadas e,
no entanto,

vibram na mesma harmonia.

 

Dai vosso coração,

mas não o confieis à guarda um do outro.
Pois somente a mão da Vida

pode conter vosso coração.

 

 

E vivei juntos,

mas não vos aconchegueis demasiadamente.
Pois as colunas do templo

erguem-se separadamente.
E o carvalho e o cipreste

não crescem à sombra um do outro.

(K Gibran) 

 

 

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Divina Música! 

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Filha da Alma e do Amor.
Cálice da amargura
e do Amor.
Sonho do coração humano,
fruto da tristeza.

 


 

Flor da alegria, fragrância
e desabrochar dos sentimentos.
Linguagem dos amantes,
confidenciadora de segredos.

Mãe das lágrimas do amor oculto.
Inspiradora de poetas, de compositores
e dos grandes realizadores.

 


 

Unidade de pensamento dentro dos fragmentos
das palavras.
Criadora do amor que se origina da beleza.
Vinho do coração
que exulta num mundo de sonhos.

Encorajadora dos guerreiros,
fortalecedora das almas.
Oceano de perdão e mar de ternura.

 

 

Ó música.
Em tuas profundezas
depositamos nossos corações e almas.
Tu nos ensinaste a ver com os ouvidos
e a ouvir com os corações.

(K Gibran)

 

 

"Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;
ainda que os seus caminhos sejam duros e difíceis.
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos;
ainda que a espada escondida na sua plumagem
vos possa ferir.

 


E quando vos falar, acreditai nele;
apesar de a sua voz
poder quebrar os vossos sonhos
como o vento norte ao sacudir os jardins.
Porque assim como o vosso amor
vos engrandece, também deve crucificar-vos
E assim como se eleva à vossa altura
e acaricia os ramos mais frágeis
que tremem ao sol,
também penetrará até às raízes
sacudindo o seu apego à terra...."

(K Gibran)
 

 

"...Então entrega-vos ao seu fogo,
para poderdes ser
o pão sagrado no festim de Deus.
Tudo isto vos fará o amor,
para poderdes conhecer os segredos
do vosso coração,
e por este conhecimento vos tornardes
o coração da Vida.
Mas, se no vosso medo,
buscais apenas a paz do amor,
o prazer do amor,
então mais vale cobrir a nudez
e sair do campo do amor,
a caminho do mundo sem estações,
onde podereis rir,
mas nunca todos os vossos risos,
e chorar,
mas nunca todas as vossas lágrimas.
O amor só dá de si mesmo,
e só recebe de si mesmo.
O amor não possui
nem quer ser possuído.
Porque o amor basta ao amor..."

(K Gibran)

 

 

 

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Os desenhos deste post são da autoria de Khallil Gibran

December 11

Cecilia Meireles - Biografia e Poesias

 “Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão.”

Cecília Benevides de Carvalho Meirelles nasceu em 7 de novembro de 1901, na Tijuca, Rio de Janeiro.

"Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.”

 

 

Ainda bem jovem, teve seu primeiro livro, Espectros, publicado em 1919.

Casa-se em 1922, com o pintor português Fernando Correia Dias, com quem tem três filhas:  Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernanda, esta última artista teatral consagrada. Suas filhas lhe dão cinco netos. Correia Dias suicida-se em 1935. Cecília casa-se, em 1940,  com o professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.

Em versos regulares ou livres, longos ou curtos, a autora, sempre empenhada em atingir a perfeição, revela habilidade no comando da riqueza lexical e dos ritmos da língua portuguesa. Outro aspecto de sua poesia é a linguagem sensorial, intuitiva e feminina, empregada em versos plenos num jogo hábil de sons e musicalidade. Recordação transfigura a realidade pelos elementos sensoriais.

  

Um dos traços mais importantes de sua poesia é a consciência da transitoriedade das coisas, revelada na delicadeza com que tematiza a fugacidade do tempo, dos objetos e da vida, sempre espreitada pela sombra da morte. Traduzida para o espanhol, francês, italiano, inglês, alemão, húngaro, hindu e urdu, e musicada por Alceu Bocchino, Luis Cosme, Letícia Figueiredo, Ênio Freitas, Camargo Guarnieri, Francisco Mingnone, Lamartine Babo, Bacharat, Norman Frazer, Ernest Widma e Fagner, foi assim julgada pelo crítico Paulo Rónai:

"Considero o lirismo de Cecília Meireles o mais elevado da moderna poesia de língua portuguesa.  Nenhum outro poeta iguala o seu desprendimento, a sua fluidez, o seu poder transfigurador, a sua simplicidade e seu preciosismo, porque Cecília, só ela, se acerca da nossa poesia primitiva e do nosso lirismo espontâneo...A poesia de Cecília Meireles é uma das mais puras, belas e válidas manifestações da literatura contemporânea.”

Cecília morreu no Rio de Janeiro, em 1964.

 

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“O respeito mútuo, um
respeito sem fingimentos
e sem rotinas, um respeito
bem intencionado, que todos
os dias se ilumina de
argumentos novos e todos
os dias se sente pequeno
diante da sua aspiração,
poderá servir de base,
dentro da obra educacional,
a um movimento de
resultados eficientes,
no problema urgentíssimo
da salvação do mundo pela
garantia unânime da paz.

 

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 CÂNTICO II

Não sejas o de hoje.
Não suspires por ontens...
Não queiras ser o de amanhã.
Faça-te sem limites no tempo.
Vê a tua vida em todas as origens.
Em todas as existências.
Em todas as mortes.
E sabes que serás assim para sempre
Não queiras marcar a tua passagem.
Ela prossegue:
É a passagem que se continua.
É a eternidade.
És tu.

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DISCURSO

E aqui estou, cantando.

Um poeta é sempre irmão do vento e da água:
deixa seu ritmo por onde passa.

Venho de longe e vou para longe:
mas procurei pelo chão os sinais do meu caminho
e não vi nada, porque as ervas cresceram e as serpentes andaram.

Também procurei no céu a indicação de uma trajetória,
mas houve sempre muitas nuvens.
E suicidaram-se os operários de Babel.

Pois aqui estou, cantando.

Se eu nem sei onde estou,
como posso esperar que algum ouvido me escute?

Ah! se eu nem sei quem sou,
como posso esperar que venha alguém gostar de mim?

 

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RECORDAÇÃO

Agora, o cheiro áspero das flores
leva-me os olhos por dentro de suas pétalas.

Eram assim teus cabelos;
tuas pestanas eram assim, finas e curvas.

As pedras limosas, por onde a tarde ia aderindo,
tinham a mesma exalação de água secreta,
de talos molhados, de pólen,
de sepulcro e de ressurreição.

E as borboletas sem voz
dançavam assim veludosamente.

Restituiu-te na minha memória, por dentro das flores!
Deixa virem teus olhos, como besouros de ônix,
tua boca de malmequer orvalhado,
e aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios,
com suas estrelas e cruzes,
e muitas coisas tão estranhamente escritas
nas suas nervuras nítidas de folha
- e incompreensíveis, incompreensíveis.

 

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HERANÇA

Eu vim de infinitos caminhos,
e os meus sonhos choveram lúcido pranto
pelo chão.

Quando é que frutifica, nos caminhos infinitos,
essa vida, que era tão viva, tão fecunda,
porque vinha de um coração?

 

E os que vierem depois, pelos caminhos infinitos,
do pranto que caiu dos meus olhos passados,
que experiências, ou consolo, ou prêmio alcançarão?

 

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LEVEZA

Leve é o pássaro:
e a sua sombra voante,
mais leve.

E a cascata aérea
de sua garaganta,
mais leve.

E o que se lembra, ouvindo-se
deslizar seu canto,
mais leve.

E o desejo rápido
desse mais antigo instante,
mais leve.
E a fuga invisível
do amargo passante,
mais leve.

 

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CHOVEM DUAS CHUVAS

Chovem duas chuvas:
de água e de jasmins
por estes jardins
de flores e de nuvens.

Sobem dois perfumes
por estes jardins:
de terra e jasmins,
de flores e chuvas.

E os jasmins são chuvas
e as chuvas, jasmins,
por estes jardins
de perfume e nuvens.

 

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CANÇÃO MÍNIMA

No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.
E, no planeta um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta.

 

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LUA ADVERSA

Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua)

No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

 

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SERENATA

Repara na canção tardia
que timidamente se eleva,
num arrulho de noite fria.

O orvalho treme sobre a treva
e o sonho da noite procura
a voz que o vento abraça e leva.

Repara a canção tardia
que oferece a um mundo desfeito
sua flor de melancolia.

É tão triste, mas tão perfeito,
o movimento em que murmura,
como o do coração no peito.

Repara na canção tardia
que por sobre o teu nome, apenas,
desenha a sua melodia.

E nessas letras tão pequenas
o universo inteiro perdura.
E o tempo suspira na altura

por eternidades serenas.

 

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UM FELIZ NATAL E 
MUITAS ALEGRIAS   NO ANO NOVO, SÃO OS VOTOS DE PRANDHAN A VOCÊ E
A SUA FAMÍLIA

 

 

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December 09

POESIAS - AUTORES DIVERSOS

 NA BUSCA

Pensamos;
Procuramos;
Rodamos por tantos cantos
À procura de algum encanto -
Um momento santo
Capaz de fazer frente
Ao interno e silencioso pranto...
Desencanto.
No entanto,
Num súbito espanto,
O encontramos
Num interno e silencioso canto...

Não mais pensamos;
Não mais procuramos;
Não mais rodamos, apenas,
Sentamos e aquietamos...
Sabemos!

Nelson Jonas

 

•´`·.·´`••´`·.·´`••´`·.·´`••´`·.·´`•

 

FLOR DE LÓTUS

No dia em que a flor de lótus desabrochou
A minha mente vagava, e eu não a percebi.
Minha cesta estava vazia e a flor ficou esquecida.
Somente agora e novamente, uma tristeza caiu sobre mim.
Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro
De um perfume no vento sul.
Essa vaga doçura fez o meu coração doer de saudade.
Pareceu-me ser o sopro ardente no verão, procurando completar-se.
Eu não sabia então que a flor estava tão perto de mim
Que ela era minha, e que essa perfeita doçura
Tinha desabrochado no fundo do meu coração.

Rabindranath Tagore

 

 

•´`·.·´`••´`·.·´`••´`·.·´`••´`·.·´`•

 

A IGREJA QUE MAIS AMO

A igreja que eu mais amo - a predileta -
É pequenina e quieta,
Sem grande pórtico ou grande nave:
Ela é modesta e suave.

Em secreto lugar, tenho-a em minh'alma;
E nela encontra calma,
Quando fecho as janelas para o mundo
E me abro ao Ser profundo.

É inteiramente minha esta capela;
Mas só me encontro, nela,
Quando lhe encontro, ao centro, O que a oficia.
Caso contrário, não me vale nada,
Nela entrar, pois oro em vão,
Numa igreja vazia!

James Dillet Freeman

 

 

•´`·.·´`••´`·.·´`••´`·.·´`••´`·.·´`•

 

 

SER MÍSTICO

Ser Místico é não dizer o que faz,
Nem o que vai fazer - é ser anônimo.
É superar os medos do eu pelo mergulho no ser.
É não ter a necessidade de demonstrar o que sabe,
É falar pouco e escutar muito,
É passar por louco e ser inteligente,
Ser confiante e não dependente,
Justo e autêntico,
Manso e confidente.
Um bom Místico
Não caça o futuro com ansiedade,
Não leva rasteira do passado,
Não fica preso à memória:
Vive só por hoje.
Pisa no escuro do desconhecido,
Não foge de seu deserto,
Arrisca-se à incerteza,
Não troca o Pássaro do Ser pelos pássaros do ter.
Ser Místico é dizer "Aun",
É ser diferente sem fazer uso de marcas registradas.
Ser Místico é Ser história.
É ter simplicidade e pureza,
Humildade e modéstia,
Coragem e bravura,
Fidelidade e esperança.
Ser Místico é ver Deus no nascer do sol
No brilho da lua e das estrelas ao anoitecer.

É ouvir a Voz de Deus
Na sinfonia dos pássaros em parceria com o vento,
E na voz do pedinte em meio ao mau tempo.
É sentar-se quieto e atento
No pulsar do Ser que o faz ser.
Ser Místico é descobrir através do silêncio
Uma nova maneira de viver.
É saber responder:
Quem sou, de onde vim e para onde vou.
Ser Místico é ter vocação,
Ser religioso, sem religião;
Ser noético e apolítico,
Amante do amor incondicionado,
Da natureza e da liberdade.
Ser Místico é buscar acima de tudo
A Voz Silenciosa de Deus
Em seu próprio interior."

Nelson Jonas

 

•´`·.·´`••´`·.·´`••´`·.·´`••´`·.·´`•

 

PRIMAVERA



Toca a flauta!
Que agora está muda.
Os pássaros se deliciam,
Durante a noite e o dia.
No pôr-do-sol,
Está o rouxinol.
No ar a cotovia
Com toda alegria,
Com toda alegria saudar,
No ano que um menino pequenino,
Cheio de alegria, chegar.

(WB)

 

•´`·.·´`••´`·.·´`••´`·.·´`••´`·.·´`•

 

CAMINHANTE

 

Caminhante, são teus rastos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há-de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar.

Antonio Machado

 

•´`·.·´`••´`·.·´`••´`·.·´`••´`·.·´`•

 

PARANDHAN

DESEJA A

TODOS UM

FELIZ NATAL

E UM

ANO NOVO

DE PAZ,

AMOR E     

REALIZAÇÕES

 

 

•´`·.·´`••´`·.·´`••´`·.·´`••´`·.·´`•

December 05

Reflexões Diversas

 
"Que a estrada se abra à sua frente, 
 Que o vento sopre levemente às suas costas 
 Que o sol brilhe morno e suave em sua face, 
 Que a chuva caia de mansinho em seus campos... 
 E, até que nos encontremos de novo,
Que Deus lhe guarde na palma de Suas mãos. "
 Prece Irlandesa
 
 
 
 
 

 

"A poesia é sempre uma surpresa, capaz de nos tirar a respiração por alguns momentos.

Ela deve permanecer em nossas vidas como o pôr-do-sol: Algo milagroso e natural ao mesmo tempo."

J. Keats (1795 - 1821)

 

 
 
 
 

"Aparentemente
existe um número de seres vivos
que seguem a lei da probabilidade.
O astrônomo pode calcular
onde se encontrará o planeta
Júpiter em mil anos.
Mas nenhum biólogo
pode prever
onde uma borboleta pousará."

Eirik Newth

 

 
 
 
 

"A essência da felicidade é não ter medo."

Nietzche

 

 
 

"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma... Todo o universo conspira a seu favor!"

Goethe

 

 
 
 

"O sonho não acabou! Vamos encarar a realidade. Não se drogue por não ser capaz de suportar sua própria dor. Eu já estive em vários lugares e só me encontrei em mim mesmo."

Jonh Lennon

 
 

 
 

"Não morre aquele que deixou na terra a melodia de seu cântico na música de seus versos."

 Cora Coralina

 
 
 
 

"Não faça aos outros o que não queres que te façam."

Jesus Cristo

 
 
 
 

"A melhor cura para o amor é ainda aquele remédio eterno: amor retribuído." 

 Nietzsche

 

December 03

ÁGUA - REFLEXO DOS SENTIMENTOS

 

 
 

A água tem uma mensagem muito importante para nós.

A água está nos dizendo para olharmos muito mais profundamente os nossos egos. Quando nós olhamos nossos egos através do espelho da água, a mensagem torna-se surpreendente, límpida, inteligível.

Nós sabemos que a vida humana está conectada diretamente à qualidade de nossa água, dentro e em torno de nós. 

 

 

A mesma água que compreende setenta por cento de um corpo humano maduro cobre a mesma proporção do nosso planeta.

A água é a fonte de toda a vida neste planeta e qualidade e integridade são vitalmente importantes a todas as formas de vida.

O corpo é como uma esponja e está composto de trilhões de câmaras chamadas células que comportam líquido.

A qualidade de nossa vida está diretamente ligada à qualidade de nossa água.

 

 
 
 Planeta Água
 
 
 
 
"Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho
e deságua na corrente do ribeirão 
 

 
 
Águas escuras dos rios que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias e matam a sede da população

 
Águas que caem das pedras
no véu das cascatas, ronco de trovão
E depois dormem tranqüilas
no leito dos lagos, no leito dos lagos
 
 
Água dos igarapés, onde Iara, a mãe d'água é misteriosa canção
Água que o sol evapora, pro céu vai embora, virar nuvem de algodão
 
 

Gotas de água da chuva,
alegre arco-íris sobre a plantação
Gotas de água da chuva, tão tristes,
são lágrimas na inundação
 

Águas que movem moinhos são as mesmas águas que encharcam o chão
E sempre voltam humildes pro fundo da terra, pro fundo da terra
 
Terra, planeta água..."
Guilherme Arantes
  
  

“Ah, se eu pudesse me diluiria agora mesmo nas águas do mar...

Dançaria com o vento pra lá e pra cá, a rodopiar e girar e girar...

E transformada em espumas me deixaria levar para a

Areia quente esparramar...”

Cecilia  

 
CECILIA  
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